Turismo de Saúde: novas exigências e desafios

Artigo de Teresa Costa, docente da Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal (ESCE/IPS) e investigadora integrada no Centro de Investigação, Desenvolvimento e Inovação em Turismo (CITUR) sobre o turismo de saúde no pós-pandemia.

O sector do turismo tem evoluído de forma positiva na globalidade dos últimos anos, em Portugal e no mundo, tendo surgido na última década novos mercados e tendências reveladoras de uma dinâmica extremamente atractiva.

Assim, no que se refere ao Turismo de Saúde, Portugal começa a evidenciar vantagens significativas que são potenciadas pelo excelente clima, riqueza cultural, segurança e hospitalidade.

 

A nível nacional, as estimativas sugerem que o mercado global de Turismo Médico atinja 42,7 mil milhões de euros até 2021. Considerando as duas realidades do Turismo de Saúde, não somente o Turismo Médico mas também o Turismo de Bem-Estar, existe um segmento específico em ambas as realidades. No Turismo Médico existe uma motivação primária, por parte do não residente, de beneficiar de cuidados médicos, de diagnóstico ou terapêuticos a serem realizados no país de destino, enquanto que no Turismo de Bem-Estar a motivação básica consiste no benefício de actividades ou experiências que promovam a harmonia física, mental e emocional.

 

Por um lado, no primeiro caso os serviços são realizados em hospitais e clínicas e recorrendo a medicamentos e dispositivos médicos, enquanto que, no segundo caso, a medicina é complementar ao serviço que é realizado em hotéis, resorts, termas, centros de talassoterapia, entre outros. Contudo, em ambos os casos, é fundamental a gestão destes empreendimentos hoteleiros e/ou hospitalares que carecem de recursos humanos qualificados.

 

Apesar do período de grande turbulência na Hotelaria e Turismo, que tem sido particularmente fustigado pela pandemia, parece não restar qualquer dúvida de que o sector é particularmente estratégico para o crescimento económico nacional e parece ser cada vez mais evidente que Portugal melhorou a sua imagem de destino seguro, agora também no que concerne às preocupações sanitárias e de saúde.

 

Na verdade, em consequência da boa gestão da crise sanitária e das boas práticas durante o pico da pandemia, Portugal parece ser um destino que inspira maior segurança, evidenciando estar mais preparado para receber turistas, comparativamente aos seus principais concorrentes, como França, Espanha ou Itália. Várias medidas começam a surgir, nomeadamente a criação do selo “Clean & Safe” para hotéis, empreendimentos turísticos e agências, que assegura o cumprimento de requisitos de higiene e limpeza para prevenção e controle da COVID-19.

 

Acompanhando esta emergência de um segmento de turismo potencialmente tão interessante para Portugal, como o Turismo de Saúde, foi criado o Mestrado em Gestão em Hotelaria de Saúde e Bem-Estar (MGHSB). O projecto é inovador em várias vertentes. É na sua génese colaborativo pois envolve a participação de três escolas distintas (Escola Superior de Ciências Empresariais e Escola Superior de Saúde, ambas do Instituto Politécnico de Setúbal, e a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril), que partilham conhecimento, competências e experiência e cujo foco está muito na cooperação, inovação e produtividade.

 

Mas esta vocação colaborativa e cooperativa tem como ambição “extravasar portas”, ligando a academia, centros de investigação e empresas num virtuoso ambiente de ensino, aprendizagem, investigação e aplicação. As metodologias de ensino/aprendizagem adoptadas neste mestrado assentam num modelo pedagógico participativo, baseado na autonomia e na valorização dos estudantes e das suas experiências profissionais como ponto de partida para o aprofundamento do conhecimento.

 

Considerando, pois, o bom papel de Portugal e das instituições, organizações e profissionais do sector de Hotelaria e Turismo, que mais uma vez demonstraram uma grande eficiência e eficácia na resolução de problemas, uma grande criatividade, mas também um grande optimismo no futuro, é fundamental que estas continuem a apostar neste caminho de mudança e de reinvenção. Mas este caminho deve continuar a ser acompanhado de rigor e segurança, para que Portugal continue a ser reconhecido como um destino “cool”, mas seguro para os turistas e para os portugueses.

 

Também as instituições de ensino superior fazem o seu papel: preparar os estudantes e profissionais do sector para as novas mudanças e exigências do turismo pós-pandemia. É neste contexto que o Instituto Politécnico de Setúbal promove o Mestrado em Gestão em Hotelaria de Saúde e Bem-Estar, pensando nos novos profissionais que vão atender às novas necessidades e realidades do turismo onde a Saúde ganha uma importância extraordinária.

 

 

 

 

 

 

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