Sowaka um cantinho de requinte

São muitos os atractivos de Quioto, mas nenhum se revela tão sedutor como o Sowaka. Este é um cantinho de requinte e um forte cartão-devisita do encantador bairro de Gion.

Tempo, silêncio, verdes e azuis férteis, bem tratados e que nos envolvem – parece o cenário de um filme, mas é bem  real e só pode valer a pena. Esta unidade interliga familiaridade, garantida pelos seus 23 quartos, com os luxos próprios que se esperam de uma pousada japonesa típica – que por aqui se chama ryokan -, onde o clássico flui para o contemporâneo.

Ouvimos dizer maravilhas dele. Pensámos ser um pouco exageradas, franzimos o nariz. Mas, à chegada, percebemos a imodéstia. É fora de série. Afinal, não é á toa que pertence ao exclusivo Ryokan Collection, grupo com 1300 anos de história e apenas 38 membros privilegiados.

A transbordar história, o edifício principal está bem conservado para um centenário, mas as paredes de madeira denunciam que já teve outra vida antes dos seus tempos de glória e é-nos confirmado: em tempos, foi um restaurante.

TEMPLO DE TRANQUILIDADE E REQUINTE

A proximidade a Kiyomizu-dera, um templo budista, é um dos grandes trunfos deste hotel. Mas, uma vez lá dentro, confirma-se: a mesma tranquilidade do exterior transporta-se para dentro de quatro paredes. E que majestosas que são. O bulício das ruas carregadas, próprio deste país do sol nascente, fica à porta, totalmente abafado. Mas todo o ambiente sereno é convidado a entrar e um convite a desligar.

Vamos, então, à prova dos nove. Logo à entrada, a cultura japonesa está em todos os recantos. Na decoração e na forma de receber. E tudo, até o mais exótico, convive de forma harmoniosa e desvenda um pouco mais sobre a tradicional hospitalidade nipónica.

Meticulosamente desenhados por Shigenori Uoya, os 23 quartos, alguns dos quais suítes com jardim privado, são tudo o que imagina e mais alguma coisa. Mas, para chegar ao paraíso prometido, terá de palmilhar longos corredores a fazer lembrar os becos da cidade.

Abra bem os olhos e fique atento aos detalhes. Quem aqui passar a noite dificilmente ficará indiferente. Tudo é cativante nestes quartos, decorados a dedo para igualar o mais possível aquilo que vê nos filmes. Mas não espere camas tipo futon, piso em tatame e portas deslizantes. É que este hotel é uma mistura entre o novo e o antigo do mais real que há.

Ficamos a olhá-lo, pensando ter entrado num sonho do qual não queremos acordar. A cama em madeira dita o tom do espaço, onde o luxo se espalha pelos detalhes. Quer seja na maciez dos roupões aos pisos aquecidos e jardins privados, nos duches com efeito de chuva ou nas banheiras nas quais apetece mergulhar num banho de imersão (e de estrelas), nas obras de arte de vários tamanhos ali penduradas da Masa, uma galeria local, e outras extravagâncias.

A decoração sóbria, agradável ao olhar e conforta. Junta peças de mobiliário que parecem de outros tempos com elementos mais modernos. No fundo, é um autêntico showroom do melhor que Quioto tem para oferecer. Todos os quartos estão devidamente equipados e incluem luxos como kit’s faciais de óleo de camélia e amenities Kazuraseis, chás torrados Gion Tsujiri e colchões de fibras naturais da marca Iwata, fundada em 1830

Quem não quiser dormir, saiba que também ao nível da restauração este é um lugar especial. Bem perto do hotel, não faltam restaurantes, mas é muito provável que prefira ficar pelo La Bombance, no primeiro andar, cuja cozinha está a cargo do estrelado Makoto Okamoto.

Prepare-se para o repasto. Os pratos são à la carte e distintamente japoneses, embora com uma ou outra subtileza internacional. Já se está a imaginar de saké na mão e uma garfada de ramen na outra?

Pode ainda subir ao amplo rooftop da pousada, um lugar mágico para aproveitar as iressistíveis vistas para Higashiyama.

Por Ana Rita Rebelo

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