Descubra o Sorris Sorris Lodge na majestosa Namíbia

Uma vista privilegiada sobre a montanha mais elevada da Namíbia e um cenário surreal de grandes rochas de granito rosado são só dois dos atributos que tornam o Sorris Sorris um destino imperdível.

Texto Marco C. Pereira
Fotos Sara Wong

O Sorris Sorris Lodge é tudo menos um acidente de percurso. O mentor, Vítor Azevedo, há muito que respira África. A sua família mudou-se de Angola para a Namíbia quando era ainda criança. Apesar de uma passagem pela África do Sul, onde Vítor andou na escola e, anos mais tarde, veio a abrir dois restaurantes, o apelo dos grandes espaços namibianos nunca o abandonou. Ao invés, serviu de motivação e inspiração para uma série de empreendimentos ecoturísticos hoje reunidos sob a abóbada de uma empresa que se expande numa harmoniosa partilha com as comunidades que a acolhem: a Namibia Exclusive. O primeiro dos seus lodges – inaugurado em Agosto de 2015 – foi o Sorris Sorris que aqui descrevemos in loco e em tempo real. O Namibia Exclusive conta ainda com o Xaudum Lodge e o Campsite, cuja abertura está agendada para 2017, com o Omatendeka Lodge, situado sobre o rio Hoanib, a oeste do Parque Nacional Etosha, e com o Sheya Shuushona, no norte do Parque Nacional Etosha.

Entre a savana e as dunas

Em plena região de Damaraland, a 100 km do mais cru litoral do oceano Atlântico, a paisagem do deserto de Namibe em questão oscila entre a savana inóspita, mas ainda assim sedutora, pejada de “mopanes” e acácias espinhosas, e as secções de dunas perdidas no vasto areal que não tardamos a encontrar a ocidente. É sulcada pelo leito do rio Ugab, seco quase todo o ano, por norma a fluir ou inundado apenas de Janeiro a Março, quando a época das chuvas se instala e facilita a vida das manadas residentes de elefantes. Grandes aglomerados naturais de rochas de granito rosado salpicam a zona, expressões geológicas incomuns que resistiram à derradeira erosão e que, por isso, enfeitam a vastidão amarelo-rosada.

O Sorris Sorris instalou-se numa destas colinas inverosímeis de rochas ora ocres, ora encarniçadas pelos períodos mais rasos do sol. Cercam-no várias outras, como que a desafiar a supremacia pré-histórica do Brandberg que, com 2573 metros, se afirma como a montanha suprema da Namíbia. De Junho a Setembro, quando as temperaturas se mantêm mais baixas, este maciço rochoso é conquistado por sucessivos caminhantes e montanhistas de todas as partes, que aproveitam para investigar as inúmeras pinturas rupestres que nele se encontram. Vítor Azevedo contratou um arquitecto especialista em edificar na natureza, e a sua obra é ao mesmo tempo simples e monumental.

Um hotel genuíno

Um deck estende-se entre uma piscina de forma irregular e um terraço usado para apreciar o pôr-do-sol e para serões em redor da fogueira, em qualquer uma das ocasiões com um bar móvel que reforça a função do bar interior. Tanto o terraço como a piscina se inclinam sobre o cenário e concedem vistas mais que panorâmicas, convidando a refeições divinais al fresco. Genuína e fortemente sensorial, a qualidade da experiência culinária do lodge deve muito à experiência pessoal de Vítor Azevedo na área de restauração. Poderá constatá-lo em regime Tudo Incluído, ao ser confrontado com os pratos criativos e requintados do jovem e prodigioso namibiano chef residente e com os melhores vinhos sul-africanos. Já agora, convém realçar que o staff do Sorris Sorris é, além de entusiasta, atencioso, espontâneo e extremamente simpático e bem-disposto.

Diversas escadarias de madeira conduzem do deck a nove chalés individuais distribuídos pela base da encosta rochosa e ligados entre si e ao edifício principal por passadiços desnivelados de madeira. Alguns chalés são twin, outros duplos. Todos foram dotados com um terraço exterior a que os hóspedes acedem rapidamente ao abrirem portas de correr de vidro que vão do chão ao tecto e de um lado ao outro da estrutura.

Os chalés foram construídos por trabalhadores da comunidade local entre paredes de betão de um tom idêntico ao das rochas que os receberam. O interior, em pinho claro, é tão elegante quanto possível e equipado com minibar guarnecido com as melhores bebidas, coffee station e banheira para proporcionar um conforto imaculado, com a relação com a natureza sempre em primazia. É esta a razão por que, completado o check in, terá sinal de Wi-Fi apenas no edifício central do lodge e não encontrará no seu chalé qualquer televisão. Um deles em particular, o Brandberg Suite, foi concebido e equipado para acolher luas-de-mel inolvidáveis. Revela-se mais desafogado e inclui uma área de lounge em separado, uma casa de banho mais ampla e, logo ao lado, um deck espaçoso.

À descoberta da natureza

Além da mera contemplação do panorama aquém da montanha de Brandberg, o Sorris Sorris tem à disposição dos hóspedes uma série de actividades ao ar livre incluídas: caminhadas guiadas ou passeios panorâmicos por trilhos ou estradas em redor do lodge, experiência cultural na comunidade de Sorris Sorris e avistamento de elefantes há muito adaptados ao deserto, todas a bordo de veículos 4WD de última geração. Qualquer uma destas actividades é refrescada por uma panóplia de bebidas mantidas em geleiras. Opcionais, com preço adicionais e reservados com antecedência, são os voos de balão sobre esta zona incrível da Namíbia ou tours guiados ao maciço de Brandberg, enriquecido com formação geológica e com arte rupestre.

Quando visitar

A época alta da Namíbia em geral e da região em redor do Sorris Sorris em particular é o Verão europeu, de fim de Maio a Outubro. Nesta altura, as chuvas terminaram de vez, e o Inverno do Hemisfério Sul instala-se e traz temperaturas mais baixas. A vida selvagem dos vários parques mantém-se concentrada em redor dos poucos charcos com água que subsistem na região.

Como chegar

O acesso ao Sorris Sorris faz-se em veículos 4WD ou por ar. O lodge tem o seu próprio heliporto. As avionetas podem aterrar perto de Uis (35 km para sul), de onde o percurso se completa com um transfere de 40 minutos. A outra cidade mais próxima é Khorixas, a 83 km para norte. Windhoek, a capital namibiana, fica a 395 km, cerca de cinco horas de estrada.

 

 

Ler Mais
Outras Notícias
Comentários
Loading...

Multipublicações

Marketeer
Marcas sem marca ganham força em 2020
Automonitor
Elétricos: Galp vai inaugurar primeiro ponto de carregamento em São Miguel