Rumo ao exotismo de Marrocos

Fascinante país, onde as tradições ainda se mantêm, mas onde a modernidade é uma constante e uma procura diária, Marrocos surge cada vez mais como um destino a ter em conta por quem procura umas férias diferentes e memoráveis.

Casablanca cidade de contrastes

Virada para o Atlântico, Casablanca surge perante os visitantes como uma cidade moderna e cosmopolita. Constituindo actualmente o maior e mais importante burgo de Marrocos, concentra quase toda a actividade económica, industrial e financeira do reino. Espelho do desenvolvimento de um país que não esquece as suas mais profundas tradições, é, em pleno século XXI, uma cidade de contrastes.

Com uma forte influência ocidental, especialmente francesa, Casablanca apresenta-se como uma cidade bastante moderna, diferente das outras cidades do país. Aqui, o uso do véu por parte das mulheres é praticamente inexistente, sendo usado apenas por algumas mulheres mais velhas, e as jovens, além de andarem com o rosto descoberto, preferem roupas mais ao estilo europeu. Mas não pense que a cidade perdeu a sua identidade! Nas ruas ainda impera o uso do djellaba, fato tradicional marroquino usado por homens e mulheres, que nos pés trazem calçados os belgha, espécie de chinelos em pele, bastante confortáveis. Um conselho: se pretender fotografar alguém peça-lhe autorização antes, pois se não o fizer poderá passar por situações um pouco embaraçosas!

Não sendo uma cidade pródiga em monumentos, Casablanca apresenta vários pontos de interesse, o mais importante é, sem dúvida, a Mesquita Hassan II, obra imponente erigida pelo actual rei Hassan II. Seguindo o islamismo como religião oficial do reino, o dia rege-se pelos cinco chamamentos à oração, anunciados pelo muezzin (sacerdote) do cimo do minarete das mesquitas. Mas a coexistência com outras religiões é perfeita, sendo autorizada pela Constituição a prática de outras crenças. A igreja cristã de Notre Dame de Lourdes é disso exemplo. Esta, com os seus belíssimos vitrais, é, como toda a cidade, merecedora de uma atenta visita.

Mesquita Hassan II, ex-líbris

Com a sua construção iniciada em 1980, a Mesquita Hassan II foi inaugurada em Agosto de 1993. Erguida sobre o mar numa plataforma de pedra, está localizada na ponta mais oeste do mundo muçulmano e representa o mais ambicioso projecto do rei Hassan II. O complexo, que alberga além do espaço para rezar, uma biblioteca e um museu, é o culminar de vários anos de trabalho árduo que envolveu mais de 30 mil trabalhadores e artesãos. Utilizando apenas materiais de Marrocos, à excepção dos 50 candeeiros importados de Milão, a mesquita surge como uma obra ímpar dotada de uma beleza impressionante. O tecto, construído em madeira, abre para os lados, possibilitando assim a entrada da luz natural.

Com os seus 200 m de altura, o esplêndido minarete, imagem de marca da cidade, emana do seu topo um raio laser visível a mais de 35 km de distância, que não poderia indicar outra coisa senão a direcção de Meca.

Em termos de área esta é, sem dúvida, a maior mesquita do mundo com espaço para albergar 80 mil fiéis. Há mesmo quem afirme que a Catedral de São Pedro, em Roma, caberia lá dentro sem grandes problemas!

Apesar da tradição marroquina de vedar os locais religiosos e sagrados à entrada de não muçulmanos, a mesquita pode ser visitada por todos, sempre na companhia de um guia.

A gastronomia – uma festa para os sentidos!

Um dos aspectos que mais surpreende quem visita a cidade pela primeira vez é a qualidade dos seus espaços gastronómicos, pois esta é uma cidade onde se come bem! Com excelentes restaurantes, onde encontrará alguma da melhor cozinha ocidental, pode sempre optar pela óptima oferta de restaurantes marroquinos. Aqui, a gastronomia local reina em todo o seu esplendor. Combinando magistralmente legumes frescos e saborosos frutos típicos da região – como a laranja ou a uva – com tenras carnes e frescos peixes, proporciona refeições dignas de reis e sultões. Tudo isto, temperado com raras e aromáticas especiarias e acompanhado com os excelentes vinhos produzidos no país. Não deixe de experimentar as brochettes, espetadas de carne, ou o méchoui, borrego assado no espeto ou no forno, que de tão macio se derrete na boca. Isto sem esquecer os famosos cuscuz, que os marroquinos comem em família no almoço de sexta-feira, mas que são servidos na maioria dos restaurantes durante toda a semana. Se tiver coragem, tente não usar talheres e coma com os dedos, à marroquina!

Absolutamente inesquecível é a tagine, prato nacional de Marrocos. Além de dar nome ao recipiente onde a comida é cozinhada (prato de barro decorado, com tampa cónica), designa também o seu conteúdo: guisado de carne, peixe, ou legumes, cozidos a vapor. Como sobremesa uma pastilla, uma fina massa folhada, com recheio de amêndoas regada com leite. Este prato pode levar outro tipo de recheio como peixe ou frango, e é conhecido como o doce-salgado marroquino. No final da refeição ser-lhe-á oferecido um perfumado chá de menta, que não deverá recusar, pois é um gesto de hospitalidade!

Na verdade, esta é uma metrópole singular. Capital económica de Marrocos, Casablanca, cidade dinâmica e próspera, alberga toda uma miscelânea de culturas. Conjugando tradição e modernidade, proporciona um ambiente único e muito especial, seduzindo irresistivelmente os forasteiros.

A magia de Marraquexe

Cores, cheiros e sons únicos constituem a magia de Marraquexe. Cidade que, perdida entre as eternas neves da cordilheira montanhosa do Atlas e a areia escaldante do deserto, transmite a verdadeira essência de Marrocos.

Os testemunhos arquitectónicos que possui datam das diferentes dinastias que a governaram – Almorávida, Almóada e os Saádida – transportando até nós mil anos de arte e história. Para que nada escape, é de mapa na mão que se aconselha a descoberta de Marraquexe, pois só assim poderá tomar o rumo certo para conhecer os tesouros que ela alberga. Destaquemos Dar Si Saïd, antigo palácio do século XIX que hoje alberga o Museu de Arte Regional; o Palácio da Bahia, edificado pelo vizir Ba Ahmad e famoso por possuir 150 divisões, além de magníficos jardins; o riquíssimo Jardim Majorelle, criado em 1924 pelo pintor francês Jacques Majorelle e actualmente propriedade do costureiro Yves Saint Laurent; o Palácio El-Badi, que em árabe significa o Incomparável, um dos 99 nomes de Alá; os Túmulos Saadianos, construídos em finais do século XVI, que foram a última morada para membros reais da dinastia Saádida; e a antiga escola de Alcorão, Medersa Ben Youssef.

O património religioso é outra das mais importantes facetas culturais de Marraquexe, a qual ganha maior expoente nas mesquitas que a povoam. A mais importante e verdadeiro ex-líbris local, Koutoubia, com 77 metros de altura, foi edificada no século XII durante o reinado de Yacoub al-Mansour. Considerada uma obra-prima da arquitectura hispano-mourisca, assinala o apogeu da dinastia Almóada. Aproveite para observar a beleza do seu exterior – cada uma das suas quatro faces são diferentes –, pois visitar o interior é absolutamente proibido aos não muçulmanos.

Depois de tanta cultura, nada como rumar até ao coração da Medina de Marraquexe, onde por becos, ruas e ruelas sinuosas repletas de lojas tradicionais, é possível descobrir antigos riads – casa típicas marroquinas, construídas em redor de um pátio interior – hoje transformados em verdadeiros hotéis de sonho.

Comprar, comprar, comprar 

Não há como negar: visitar esta cidade convida ao consumismo, irresistível especialmente para aqueles que gostam de regatear os preços e que adoram perder-se por entre ruas repletas de bazares, antiquários e ateliers de artesanato!

A vida de Marraquexe gira em torno da sua praça principal, Jemaa-el-Fna. Noutros tempos palco das execuções públicas, o local, que pode não ser dos mais belos, é hoje, sem dúvida, dos mais animados. A razão principal reside no souk que diariamente atrai milhares de pessoas que ali encontram um pouco de tudo. Os odores dos legumes frescos, das especiarias e das essências confundem-se com o atraente aroma das comidas confeccionadas nas cada vez mais numerosas bancas gastronómicas. A animação é uma constante, sendo garantida pelos inúmeros encantadores de serpentes, acrobatas e contadores de histórias que lhe dão um colorido muito especial. Os ruídos que normalmente acompanham a vida de um mercado são suplantados em Jemaa-el-Fna pela música executada pelos tocadores e cantores de rua, que aproveitam a presença de milhares de turistas para divulgarem a sua arte.

Mas outros locais apelam à veia mais gastadora dos visitantes. Foi exactamente a pensar nos mais exigentes que abriram nos últimos tempos variadíssimas lojas e ateliers, caso do luxuoso bazar La Porte d’Or. No seu interior podemos encontrar tapetes e antiguidades, mobiliário e jóias, mas tudo a um preço bastante alto. Mais em conta, mas igualmente muito bem fornecido de belas peças, o Trésor des Nomades apela a uma visita. Em matéria de peças de barro, nenhuma chega aos pés da célebre Céramique Akkal, enquanto os mais belos tecidos e bordados são da responsabilidade do atelier Brigitte Perkins.

Mundo de sensações, Marraquexe põe à prova os cinco sentidos de quem a visita. Inestimável riqueza delimitada pelas ancestrais muralhas que desde sempre a protegem de tudo, inclusive do tempo que passa, despede-se de nós com um “Allah ihennik”, ou seja, “Que Deus te guarde em paz”.

Por Sandra M. Pinto

Ler Mais
Outras Notícias
Comentários
Loading...

Multipublicações

Marketeer
Bacardi foca-se nas marcas próprias em Portugal
Automonitor
O novo Lamborghini Sián é simplesmente eletrizante