Rio’16: Cinco símbolos culturais que não vai querer perder

Como Património Cultural Imaterial da Humanidade, a UNESCO considera as expressões e tradições de comunidades, grupos e indivíduos de todo o mundo, e que são passadas de geração em geração. O Brasil soma 38 manifestações culturais imateriais reconhecidas pelo Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), mas foram cinco as destacadas pela UNESCO como Património Imaterial da Humanidade.

Roda de Capoeira

Esta combinação de dança e luta teve origem no período da escravidão.  A capoeira desenvolveu-se enquanto rito social e de solidariedade entre os escravos. A estratégia a que recorriam para lidarem com a opressão e com a violência acabou por se traduzir numa manifestação cultural que reúne o canto, o instrumental, a dança, a marcialidade, brincadeiras, símbolos e rituais africanos.  Na roda de capoeira, os mestres, formados na tradição, transmitem o saber aos demais participantes. Hoje, aquele que é um dos maiores símbolos da identidade brasileira é praticado em mais de 160 países.

Capoeira. Crédito para Rita Barreto-Setur-BA

Frevo

Este género musical urbano, que se alia à expressão artística única do carnaval do Recife, surgiu no final do século XIX, durante as celebrações do carnaval. Consiste numa forma de manifestação musical, coreográfica e poética profundamente enraizada na cultura de Pernambuco. As competições entre as bandas militares, assim como a alegria manifestada pelos escravos libertados, os capoeiristas, os membros da nova classe operária e os novos espaços urbanos foram alguns dos agentes que contribuíram para a definição deste jogo de braços e pernas e dança frenética.

Samba de Roda

Com origem no Recôncavo Baiano, o samba de roda é uma das manifestações musicais, coreográficas, poéticas e festivas mais emblemáticas da cultura brasileira. Foi influente no samba carioca e continua hoje a ser uma das grandes referências do samba nacional. Encontra-se presente em toda a Baía, principalmente no Recôncavo – o rebordo da Baía de Todos os Santos. O samba de roda conta com uma herança africana, mas também com traços trazidos pela população portuguesa (nomeadamente a viola e a pandeireta) e com a própria língua portuguesa, nos elementos que apresenta na vertente poética.

Samba de Roda. Crédito para Iphan-BA

Círio de Nazaré

A celebração religiosa de Belém é considerada uma das mais imponentes do mundo. O Círio tem como auge o momento da procissão, na qual participam mais de dois milhões de pessoas. Tendo sido instituída em 1793, a ocorrer no segundo domingo de outubro, a procissão (na imagem) percorre um total de cinco quilómetros, da Catedral da Sé, na Cidade Velha, o berço de Belém, até a Praça do Santuário, no bairro de Nazaré. Os paraenses consideram esta festa um momento anual de enorme importância, não só na demonstração da devoção e solidariedade, como na renovação de laços familiares e na manifestação social e política.

Arte Kusiwa

A pintura corporal e arte gráfica dos povos indígenas Wajãpi, com origem no Amapá, têm como função representar a perspetiva do povo quanto ao modo de conhecer e agir sobre o universo. Ao todo, está presente em 48 aldeias, onde residem mais de mil índios. Esta manifestação artística está intimamente vinculada à organização social, uso da terra e conhecimento e práticas tradicionais dos Wajãpi. Estes aplicam composições e padrões Kusiwa nas costas, na face e nos braços. A pintura é utilizada todos os dias e, enquanto os adultos se pintam, os jovens observam e aprendem a replicar estas composições de kusiwarã nos seus corpos.

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