Recorde o que se passou no “Vê Portugal”

Leia os destaques das principais intervenções no fórum de turismo interno.

A 6ª edição do fórum “Vê Portugal” terminou ontem, no Cine-Teatro Avenida, em Castelo Branco, depois de dois dias de debates sobre o turismo interno.

O primeiro painel, no dia 21, teve como tema o “Turismo Cinematográfico – O Cinema ao Serviço do Turismo”. Perante uma plateia de centenas de pessoas, Maria Mineiro, vice-presidente do Instituto de Cinema e Audiovisual, começou por destacar o facto de o país estar a ser “descoberto pelo mundo”, o que, aliado à aposta do Governo em atrair produções estrangeiras, está a permitir criar condições para que Portugal se torne um destino para a realização de filmes e séries.

Bruno Manique, presidente da Centro Portugal Film Commission, corroborou, sublinhando que o Centro do país  tem “todas as condições para receber produções internacionais”.

Por sua vez, Francisco Dias, professor no Instituto Politécnico de Leiria e director do festival ART&TUR, defendeu que “o impacto do cineturismo é maior que a publicidade”, acrescentando que “um terço do que se gasta numa produção é no local das filmagens”.

No segundo painel do dia, dedicado ao tema “Turismo 4.0 – Portugal, Hub de Inovação Digital”, Sérgio Guerreiro, director de Gestão de Conhecimento do Turismo de Portugal, fez notar que há que pensar todos os dias em como melhorar a experiência dos visitantes, com exigências cada vez maiores. Nesse sentido, recordou que o novo Centro de Inovação do Turismo será instalado na Covilhã, bem perto de Castelo Branco.

Já Urška Starc-Peceny e Tomi Ilijaš, da Arctur – ‘Living Lab Slovenia”, chamaram a atenção para a digitalização como “um novo desafio”, que só será vencido com a colaboração de todos, criando “experiências enriquecedoras” para os visitantes.

O início de tarde foi marcado pela intervenção da secretária de Estado do Turismo. Ana Mendes Godinho subiu ao palco para referir as principais estratégias e programas do Governo para esta área.

Entre outras iniciativas, como o Programa Valorizar, a governante enalteceu a criação da Portugal Film Commission, que pretende atrair produções audiovisuais para Portugal e que está integrada na missão de fazer com que “o turismo seja uma bandeira do país”. “O Turismo é uma arma de transformação, que consegue mobilizar vários players e que tem a capacidade de abrir o mapa de Portugal, alargando-o a todas as regiões e transformando assim o território”, salientou.

Para Ana Mendes Godinho, o foco está em em conciliar “a autenticidade com a inovação e a sofisticação”, a mesmo tempo que se pretende assegurar “a sustentabilidade dos recursos naturais e a sustentabilidade económica”.

A mensagem da secretária de Estado foi antecedida de uma pequena intervenção de Célia Teixeira, gestora da RBTTTI do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, que apresentou a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Tejo/Tejo Internacional. Esta é uma nova classificação territorial, a cargo da Unesco, e que introduz um desafio integrado na sua dinamização, intitulado “Reserva da Biosfera: Território Com Vida”.

O jantar de gala “Vê Portugal”, que decorreu na Quinta da Dança, foi um dos momentos altos do programa. A organização homenageou personalidades que se destacaram no sector turístico nacional e regional, entre eles a Associação das Termas de Portugal e mestre Manuel Cargaleiro.

Foram também entregues os prémios do concurso de empreendedorismo turístico “José Manuel Alves”, instituídos pela TCP e que visam apoiar projectos inovadores no sector, com implementação na região Centro. Nesta quarta edição, foram apresentadas 63 candidaturas, mais 10 do que em 2018. O primeiro classificado foi o “Zipline Nazaré / Ocean Zipline” (Geração GIVE), seguido do “Abrigo do Queijo Serra da Estrela DOP” (Joaquim Lé de Matos) e do “Gravity F” (António Matos/Cláudia Passos).

Já o concurso de teses académicas distinguiu a tese de doutoramento “A Satisfação Turística: Uma Análise aos Turistas Estrangeiros que Visitam os Centros Históricos em Portugal” (Ana Sofia Duque) e a tese de mestrado “Turismo Acessível: A Importância da Formação na Alteração das Atitudes” (Nuno Cunha Leal).

No segundo dia, a manhã começou com um painel intitulado “Turismo no Interior do País – Ativos Diferenciadores”. O secretário de Estado da Valorização do Interior, João Paulo Catarino, foi peremptório: “No interior está a autenticidade do povo lusitano, temos é de continuar a encontrar formas de levar os fluxos de visitantes do litoral para o interior. Todos os territórios têm o seu ‘canhão da Nazaré’, é preciso descobri-los”. Isso passa, continuou, por “aumentar os incentivos aos turistas que chegam a Lisboa ou Porto para visitarem outros territórios” e que “os turistas deixem retorno económico nos locais que visitam, que interajam com os habitantes locais”. “Não queremos que o interior seja apenas uma sala de visitas para quem passa.”

Seguiu-se Ana Abrunhosa, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, que realçou os factores que levam as pessoas a querer visitar as regiões de interior: “autenticidade, liberdade, recordações, raízes… A maioria dos portugueses tem o coração aqui e quando aqui vêm sentem-se em família”. E são também fatores decisivos para os investidores, considerou: “Quando se investe, o coração é decisivo, não se investe só com uma folha de cálculo. O mais importante são as pessoas”.

O painel foi encerrado por Rodolfo Baldaia de Queirós, presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior, que enalteceu as potencialidades dos vinhos da Beira Interior e que enunciou o próximo passo: uma Rota do Vinho da Beira Interior.

No painel seguinte conversou-se sobre “Turismo na Orla Costeira – Ativos Diferenciadores”. Walter Chicharro, presidente da Câmara Municipal da Nazaré, apresentou a estratégia que tem colocado a Nazaré como um case study de sucesso internacional. Segundo o autarca, tem como pilar essencial “a comunicação”, a “realização de eventos” mediáticos e a “digitalização” da promoção.

Combater a sazonalidade tem sido igualmente uma estratégia há muito seguida por Espinho, de acordo com Pinto Moreira, autarca da cidade. Desde logo com o casino, com a maior feira semanal do país, com o torneio de golfe mais antigo da Europa e com muitas outras iniciativas. No entanto, por estar na orla costeira, o autarca mostrou-se particularmente preocupado com as alterações climáticas e com o efeito que estão já a ter a nível da erosão da costa portuguesa.

Marques Mendes falou do futuro do turismo

À tarde, Luis Marques Mendes, advogado, comentador político e Conselheiro de Estado, deu uma palestra dedicada ao tema “Binómio: Portugal para Viver, Portugal Destino Turístico”.

“O turismo é um dos activos mais importantes para desenvolver o país”, referiu. Por isso, Marques Mendes recusa que haja turismo a mais: “Antes turismo a mais do que turismo a menos”, sintetizou. E recordou alguns dados estatísticos, nomeadamente que o turismo representa 9% do PIB nacional, é o maior sector exportador, é responsável por mais de 10% do emprego e faz entrar no país cerca de um milhão de euros por hora.

Marques Mendes, que identificou quatro razões prioritárias para esta mudança. Em primeiro lugar, “reforçar a boa imagem do país no exterior”. “Portugal está associado a uma imagem de hospitalidade e de segurança que atrai visitantes”, sublinhou.

Em segundo lugar, “potenciar grandes ativos estratégicos”, destacando entre estes “o clima, a gastronomia, a história ou a cultura”, entre outros. Para isso, é vital “apostar na qualificação dos recursos humanos”. “Não basta receber, é preciso receber bem. O turista actual é cada vez mais exigente, procura a excelência. E procura também a diversidade e a especificidade dos territórios”, considerou.

A terceira razão é “a aposta sem preconceitos na iniciativa privada”. “É essencial que o Estado não estorve, que seja amigo dos investidores. O excesso de burocracia e de carga fiscal mata o investimento”, sublinhou.

Finalmente, a quarta razão é “a aposta na imprensa internacional e no marketing digital”. “Ninguém liga à publicidade institucional, mas liga-se muito a um artigo ou reportagem sobre um destino que seja publicado na imprensa internacional. Isso atrai turismo”, referiu.

Marques Mendes recordou também que existem riscos que podem afectar a actividade turística. Nomeadamente, o risco de guerras comerciais a nível internacional, o risco de insegurança e terrorismo, o risco dos populismos, o risco das alterações climáticas ou o risco dos novos pobres e excluídos, entre outros. Acresce que, numa Europa “com uma crise de liderança”, “Portugal tem a vantagem de não ter nacionalismos nem clivagens”. O Conselheiro de Estado concluiu a sua intervenção alertando para o facto de que “Portugal tem um grande desafio nos próximos anos: o do crescimento”.

A colaboração entre as Entidades Regionais de Turismo, as autarquias e as Comunidades Intermunicipais foi um dos temas que marcou a tarde.

O secretário de Estado das Autarquias Locais, Carlos Miguel, subiu ao palco para explicar os pormenores da Lei-Quadro da Transferência de Competências para as Autarquias Locais e Entidades Intermunicipais. Carlos Miguel defendeu o diploma, que, no seu entender, permite estreitar a colaboração entre as entidades regionais do turismo, as autarquias e as Comunidades Intermunicipais, aumentando a coesão nacional. Outra das vantagens que elencou é a possibilidade que abre de estes organismos concorrerem directamente a financiamentos europeus.

Seguiu-se uma mesa redonda com os presidentes das regiões de turismo do continente. “Temos muito mais a unir-nos do que a separar-nos”, sublinhou Pedro Machado.

Depois, Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo Português, salientou o facto de o sector “viver um momento desafiante”. “Os últimos cinco anos foram muito bons. Portugal é o 14.º destino turístico mais competitivo do mundo, o que significa que está na Champions League. Acredito que ainda há condições para aumentarmos o crescimento de visitantes, em especial nas regiões de interior”, considerou.

Coube a Pedro Machado encerrar os trabalhos. Depois de agradecer à autarquia e ao Instituto Politécnico de Castelo Branco, o presidente do Turismo Centro de Portugal realçou o sucesso que constituiu esta edição do Fórum Vê Portugal e sublinhou o muito que foi conseguido durante os dois dias. “Atingimos o mais volumoso número de inscrições de sempre deste evento. Este Vê Portugal é uma aposta ganha na indústria do turismo e constitui um marco no debate sobre o mercado interno. Além disso, reforçou os laços entre os agentes privados e públicos, por um lado, e entre territórios, por outro”, finalizou

O “Vê Portugal” é uma iniciativa anual da TCP, que junta especialistas de várias áreas, membros do Governo, autarcas e empresários para uma discussão sobre o presente e o futuro do turismo interno. Castelo Branco sucede a Viseu, Aveiro, Coimbra, Leiria e Guarda, as capitais de distrito que acolheram as edições anteriores.

Se não teve oportunidade de estar presente, assista aos melhores momentos do 6.º Fórum de Turismo Interno “Vê Portugal”:

1.º dia

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