O turismo nos tempos de coronavírus: o que mudou?

Após a declaração de pandemia da OMS em Março de 2020, o mundo fechou-se em casa provocando uma crise até então inédita no sector do turismo. Ainda assim, a vontade de viajar nunca desapareceu e, hoje, temos já algumas pistas que nos indicam como será possível continuar a viajar em 2020.

O ano de 2020 ficará para sempre marcado pelo impacto estruturante do coronavírus. A nível económico, a pandemia provocou uma rápida paralisação de todo o tipo de indústrias e comércio – e o sector do turismo não foi excepção. Aliás, são vários os estudos que apontam para este sector como um dos mais afectados pelas medidas de confinamento obrigatório implementadas nos últimos meses.

Ainda assim, algumas empresas foram rápidas a adaptar-se a esta nova realidade e a vontade de viajar nunca desapareceu. Agora, numa altura em que vários países começam a reabrir as suas fronteiras, o que se pode esperar para o futuro do turismo num mundo totalmente transformado pelo coronavírus?

Reinventar o turismo num mundo virtual

Deparados com os seus clientes fechados dentro de quatro paredes durante semanas sem fim, as empresas do turismo foram rápidas a procurar formas de se adaptarem à nova realidade.

No caso da start-up de depósito de bagagens LuggageHero, quando a procura dos seus serviços estagnou, a empresa optou por apostar na diversificação da sua oferta. «Tivemos alguma sorte», admite o CEO Jannik Lawaetz que já se encontrava a desenvolver outros projectos para a LuggageHero. Ao mesmo tempo, reconhece que «trabalhámos muito nestes últimos meses para estarmos preparados para a reabertura do setor».

Os esforços da equipa foram assim redireccionados para novas oportunidades como a criação de uma estrutura de dados, a angariação de novos parceiros e a realização de inquéritos ao cliente para aferir as suas intenções de viagem. Estes últimos em especial têm sido fundamentais para perceber como os viajantes se sentem perante a possibilidade de voltar a viajar – «cautelosos, mas optimistas», resume Lawaetz.

A contar com este optimismo estão várias agências de viagens e outras empresas do sector que se adaptaram às novas tecnologias para passar a oferecer os seus serviços à distância de um click. É caso para dizer: se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé.

Nos últimos meses, assistiu-se a um movimento inovador que trouxe galerias de arte, paisagens montanhosas e aventuras de mergulho no fundo do mar para dentro das casas de viajantes por todo o mundo através de visitas virtuais, vídeos de 360º e seminários online.

A empresa de visitas guiadas GetYourGuide criou o programa The World at Home (“O Mundo em Casa”) e passou as suas experiências para o mundo virtual com visitas guiadas online sobre o Museu do Vaticano, Berlim durante a Guerra Fria e a arte das pizzas italianas para crianças. Já a empresa de visitas culturais Context Travel lançou a Context Conversations, uma plataforma de seminários online que levam as suas tours culturais aos ecrãs dos seus clientes.

A National Geographic produziu um catálogo de vídeos de 360º levando os visualizadores por lugares únicos como os rios selvagens do Canadá, os recifes de corais da Indonésia e as ruínas de Chichén Itzá. E o Turismo da Suíça criou um mapa interactivo com uma Grand Tour que o leva pelos principais pontos turísticos da Suíça sem ter de sair do seu sofá.

Uma oportunidade para investir

Mesmo para as empresas que viram o seu negócio estagnar totalmente durante estes meses, a pandemia não foi tempo perdido.

De facto, este optimismo perante o futuro do turismo reflecte-se não só nas intenções de viajar como também nas atitudes de investidores por todo o mundo. No caso da LuggageHero, a sua campanha de crowdfunding que terminou a 15 de Maio angariou mais de 400 mil euros ultrapassando o objectivo inicial em mais de 20%. Tal como sublinha o CEO Jannik Lawaetz, «o facto de termos feito isto durante a pandemia do COVID-19 é prova de que as pessoas se sentem optimistas em relação a podermos voltar a viajar».

Já esta semana, com os anúncios de medidas de reabertura de fronteiras na Europa, as acções de empresas de turismo subiram de forma significativa. O grupo International Consolidated Airlines Group (detentor da British Airways, entre outras companhias aéreas) viu as suas acções valorizadas em 20%, a easyJet em 18% e a Ryanair em 9%.

A segurança em primeiro lugar

Felizmente, este “optimismo” começa também a dar sinais na reabertura do sector. Os resultados promissores dos esforços de contenção do vírus na Ásia e na Europa têm resultado no início da aplicação de medidas de desconfinamento um pouco por todo o mundo – e o sector do turismo não está esquecido.

Em maio, a Comissão Europeia emitiu um conjunto de recomendações para a reabertura cautelosa das fronteiras europeias ao turismo regional e internacional. Desde então, foram vários os países a criar pequenas “bolhas” e “corredores” de viagem abrindo as suas fronteiras a países com perfis de risco do vírus semelhantes.

Com estas novas medidas, as empresas do sector começam também agora a voltar à “normalidade” – mas não antes de realizarem profundas alterações à forma como prestam os seus serviços. Normas rigorosas de higienização e distanciamento social irão ditar a forma como o turismo poderá reabrir a tempo do Verão de 2020.

«Tal como as viagens, as medidas de segurança mudaram significativamente desde o ataque do 11 de Setembro há quase duas décadas, e o mesmo acontecerá agora», afirma Lawaetz. «a segurança deve ser sempre a nossa principal prioridade».
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