“O futuro começou ontem”, afirma Margarida Osório de Amorim, da PLMJ

A especialista da PLMJ para a área de Imobiliário, Urbanismo e Turismo acredita que já nada será como dantes.

 


Estávamos em 1974 e Paulo de Carvalho cantava o que muitos entendiam ser uma canção premonitória do fim do regime e que, afinal, era apenas uma canção de amor. “E depois do adeus”.

Estamos agora em 2020 e voltamos a cantar uma outra canção que todos queremos que seja premonitória do fim do COVID 19. “Andrá tutto bene (vai ficar tudo bem)”.

E, no meio desta cantoria, há quem nos faça entoar – na vontade que nos move de sairmos (todos) vitoriosos, “We will meet again”.

E tudo isto podia ser apenas o começo de um cancioneiro perfeito que nos alentaria a alma com um final feliz; ficará tudo bem porque, depois do adeus, vamos encontrar-nos outra vez.

Mas os números não são animadores.

O que, neste momento, sabemos é que a União Europeia já perdeu 2 milhões de dormidas e 1.000 milhões de euros devido à ausência de turistas.

Em Portugal, onde o turismo é a maior atividade económica exportadora, o setor da hotelaria já calcula uma perda de receita para o 2.º trimestre de 90%.

De 15 em 15 dias renova-se o estado de emergência. Apertam-se as medidas. Colocam-se trancas à porta e, agora, também as máscaras.

Estamos a viver tempos sem precedentes que nos obrigam a olhar apenas para ontem, para tentar assimilar o que nos aconteceu hoje e esperar o melhor para amanhã.

Ninguém arrisca futurologia e, muito menos, uma futurologia otimista.

Mas porque não?

Na nossa história fomos visionários, conquistadores e revolucionários. Soubemos ser resilientes e, se é certo que somos amantes do fado e da saudade, somos também inovadores e temos uma capacidade inimaginável para nos reinventarmos. Já o fizemos e vamos voltar a fazer.

Temos sol e praia; rios e montanhas; água e vinho (o verde, o branco e o tinto).

Temos história e cultura.

Temos campeonatos de surf e as maiores ondas do mundo; festivais de música e até campeonatos de golfe.

Temos o nosso Vinho do Porto e o pastel de nata.

E temos as nossas pessoas.

Somos um país premiado, um dos melhores destinos do mundo. Continuamos com lugares paradisíacos e com paisagens de cortar a respiração.

Agora, mais do que nunca, e enquanto fazemos planos à janela, queremos sair, viajar, andar de carro e de bicicleta.

Pôr o pé na areia, não ter lugar para estender a toalha de praia e comer aquela bola de Berlim.  Navegar no rio Douro. Fazer um passeio de barco moliceiro. Subir à Torre e, porque não, à Montanha do Pico. Visitar castelos, museus, vilas, aldeias, cidades e ilhas. De Melgaço a Faro, de Sintra à Guarda, da Madeira aos Açores.

E já nada será como dantes.

Dizem-nos que temos, pelo menos, 2 anos para recuperar; o esforço da inversão dos números tem de começar agora.

Os promotores, exploradores e restantes players do mercado turístico e hoteleiro de Portugal terão de reinventar o turista e criar novas formas de viajar, novas rotas e novos destinos.

O foco terá de ser Portugal; os turistas devem ser, antes de mais, os portugueses; e as férias podem não ser só praia e calor, mas também museus, exposições, passeios e degustações.

O Governo e restantes entidades governamentais (seja a nível central, regional ou municipal) têm de continuar a apoiar o setor da hotelaria e do turismo porque o impacto financeiro desta crise é e vai ser inevitável, com consequências que devem ser mitigadas face ao peso deste setor na economia portuguesa.

Os empreendimentos e os estabelecimentos turísticos e hoteleiros, os restaurantes e bares têm de voltar a abrir as portas. Temos de continuar a fazer o que fazemos tão bem.

O mercado da oferta terá, muito provavelmente, de se ajustar à nova procura. É, por isso, fundamental continuarmos a criar e disponibilizar as medidas de apoio necessárias e o ambiente jurídico adequado à continuidade da nossa história de sucesso.

Porque o futuro começou ontem. Sem precedentes.

 

Margarida Osório de Amorim é sócia na área de Imobiliário, Urbanismo e Turismo. Com mais de 20 anos de experiência, tem um profundo conhecimento nas áreas de turismo, hotéis & resorts e know-how de todas as fases de um investimento imobiliário: aquisição, estruturação, construção, desenvolvimento, exploração, arrendamento e venda. É considerada uma das maiores especialistas na área do Turismo e assessora um grande número de cadeias de hotéis e investidores.

 

Ler Mais
Outras Notícias
Comentários
Loading...