Moscovo: a cidade cosmopolita e tradicional desejada por todos

Depois de ter vivido numa espécie de letargia, Moscovo desperta. Hoje é uma cidade desejada, plena de tentações e cujos habitantes descobrem os verdadeiros prazeres da vida.

 

Ao analisarmos a Moscovo actual sentimo-nos tentados a realizar um pequeno exercício, tentando adivinhar o que pensariam dela Marx e Lenine, Pedro e Catarina… Se os dois últimos, czares por herança familiar habituados ao melhor da sua época, de certeza que a ela se adaptariam com relativa facilidade, os primeiros ficariam no mínimo espantados e, certamente, incrédulos! A verdade é que fosse qual fosse a opinião de qualquer uma destas importantes personalidades da história da cidade, num facto com certeza concordariam: Moscovo modernizou-se e os moscovitas ganharam outro gosto pela vida.

Algumas das mais ricas heranças da Rússia vamos encontrá-las em Moscovo; basta olharmos para o esplendor do Kremlin ou para beleza da Catedral de São Basílio para percebermos porque ainda hoje Moscovo é uma das mais belas metrópoles do mundo e o coração de uma Rússia que tenta apanhar o comboio da modernidade. Simultaneamente, são visíveis os testemunhos da história mais recente do país, como a Praça Vermelha onde, no Mausoléu de Lenine, repousa o corpo embalsamado do fundador da antiga União Soviética. Pode-se chegar à capital de barco, de avião, de comboio ou de carro, tudo dependendo do ponto de partida. Mas, seja qual for o meio de locomoção escolhido para lá chegar, dentro dela o melhor mesmo é andar a pé, ou, se for daqueles que se assustam com as distâncias, de metro, cuja linha chega a quase todo o lado, além de as estações serem verdadeiras obras de arte, obrigatórias visitar.

Ex-líbris da cidade

O Kremlin estende-se à beira do rio Moskva. Abrangendo uma área de cerca de 27 hectares, é uma imensa mini-cidade protegida por muros enormes, levando à letra o significado da palavra “ Kremlin”: fortaleza ou cidadela! A data da fundação da cidade é tida como o ano de 1147, altura em que a própria Moscovo se confundia com o Kremlin. As muralhas que o separavam do resto da urbe são as mesmas que ainda hoje resguardam os muitos pontos de interesse que ali se encontram. Atingido por incêndios, guerras e conflitos, a verdade é que o perfil que hoje lhe reconhecemos não difere muito daquele com que se apresentava no século XVI. São de diversos estilos e variadas épocas os edifícios que o integram, totalizando um conjunto arquitectónico valioso e único na história deste país. De entre eles sobressaem as igrejas, como as três catedrais localizadas em redor da Praça da Catedral. O título de a mais bela é quase unanimemente atribuído à catedral de Uspenskiy, projecto do arquitecto italiano Aristotle Fioravanti, famosa por ter sido o cenário da coroação de czares e da consagração do líder da Igreja Ortodoxa Russa. Se nos ficarmos pelos telhados, onde as cúpulas são a sua imagem de marca, teremos que destacar a Catedral da Anunciação que sozinha deslumbra com nove gloriosos exemplares!

Mas se as igrejas impressionam, os palácios não lhe ficam atrás; veja-se por exemplo o do Patriarca, morada de uma rica colecção de artes decorativas, e, claro, o imponente palácio do Kremlin, onde moravam os czares. Inaugurado em 1850, possui nos dois andares que o integram perto de 700 divisões.

Para lá do Kremlin

Fora das muralhas do Kremlim damos de caras com a monumentalidade da Praça Vermelha, endereço da Catedral de São Basílio, com as suas inúmeras e coloridas cúpulas, do Mausoléu de Lenine, exemplo da melhor arquitectura dos anos 30, e dos armazéns GUM, um verdadeiro monumento à religião chamada de consumismo e a quem professa tal fé. Os enormes corredores estão quase sempre cheios de pessoas em busca das recentes novidades das grandes marcas internacionais e que aproveitam para visitar as muitas outras lojas que ali se encontram, como os champagne bars e as lojas de caviar. Muito parecido com o nova-iorquino Macy’s ou o britânico Harrod’s, não lhes fica atrás nem em variedade, nem em luxo e nem em preços!

Um dos mais importantes marcos culturais de Moscovo dá pelo nome de Bolshoi, designação de teatro e companhia de bailado. Por ali passaram os nomes mais importantes desta elegante arte, personalidades que levaram o nome Bolshoi a todo o mundo fazendo dele uma referência no universo da dança mundial. Também de referência é a colecção do Museu Pushkin, repleta de obras de Picasso, de Van Gogh, de Matisse, de Gaugin, de Renoir e de Monet.

Na linha do horizonte

Tal como antes, o horizonte continua marcado pelas cúpulas das catedrais e dos palácios, que, recortadas sobre o infinito, vão assumindo diferentes tonalidades ao longo do dia, adquirindo uma aura de imponência com a chegada do pôr-do-sol. Mas, se olharmos com atenção, vamos descobrir muitas diferenças, as quais não se reportam apenas aos edifícios mas, e sobretudo, aos habitantes e à sua maneira de encarar e viver o dia-a-dia. Os moscovitas acreditam que merecem mais do que aquilo a que sempre tiveram acesso e querem ter a oportunidade de viver tudo o que os ocidentais já têm como adquirido há várias gerações. Um dos melhores exemplos é a “febre” do consumismo que tem atingido grande parte da população. Para além do acima referido GUM, nas melhores e mais centrais artérias da cidade concentram-se mais umas quantas marcas de prestígio internacional, como a Yves Saint Laurent, alimentadas por um número crescente de apreciadores de moda.

Outra das mais desenvolvidas vertentes a que se tem assistido em Moscovo diz respeito à evolução do mercado imobiliário, em particular do sector prime. O interesse de investidores estrangeiros tem sido crescente levando à criação de inúmeros projectos de interesse, como é o caso de Nijny Gorod, nas vizinhanças do Kremlin.

Inegavelmente, Moscovo continua a fazer história, e os seus habitantes percebem isso, pois movimentam-se com um grande à vontade em tudo o que faz girar o século XXI. Os moscovitas abraçam com fervor a cultura global característica da era moderna e olham com muita atenção para um futuro que acreditam ser promissor, cheio de novas oportunidades, as mesmas que fazem da Rússia uma “nova Rússia”. E Moscovo é o epicentro desta “nova Rússia” da qual todos falam. Cada vez mais cosmopolita e cultural, mantém um forte apego ao que de melhor viveu no seu passado tantas vezes conturbado e agitado. Hoje, Moscovo é uma cidade em busca da modernidade mas que não nega, antes acarinha, a sua história e tradições.

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