Macau: terra de Grande Prémio

O Festival do Jubileu de Diamante do 60.º Grande Prémio de Macau é aquele género de acontecimento que só acontece uma vez na vida. Primeiro porque acontece no maior e mais antigo circuito urbano e depois porque é o único evento do género a juntar provas de carros e motas no mesmo programa.

Macau nasce do nome de uma deusa chinesa, muito venerada pelos marinheiros e pescadores, chamada A-Ma ou Ling Ma. A ligação entre as culturas chinesa e portuguesa está bem visível na peculiar herança histórica de Macau, onde templos, fortalezas, igrejas, palácios e jardins são silenciosas testemunhas da passagem do tempo e das pessoas que por ela passaram. Hoje quem chega a Macau sente o peso do progresso e da modernidade a cada esquina, mas ao mesmo tempo ainda se sente o charme e o romantismo das memórias que ficaram de outras épocas.

Macau, a cidade que serviu de plataforma ao Ocidente na sua entrada no Oriente, traçou o seu destino, evolução e crescimento, à beira do rio das Pérola, numa história única e muito rica.

Hoje Macau acolhe unidades hoteleiras das mais prestigiadas cadeias internacionais, que vieram alterar, e muito, o semblante do território que com o cair da noite ganha contornos digamos que “Las Veguianos” com os néones e os milhares de luzes que iluminam a noite. Outros dos aspectos que mais nos agradou foi o gastronómico, pois por ali há restaurantes para todos os gostos e carteiras…desde a banda de rua, até ao espaço de noodles, passando pelos restaurantes estrelas Michelin e os especializados nas mais diversa gastronomias do mundo. Depois há os eventos os quais trazem regularmente ao território milhares e milhares de visitantes vindos não só do Oriente, mas um pouco de todo o mundo. Um dos mais prestigiados celebrou em 2013 seis décadas de vida, factos mais do que válido para a ele dedicarmos especial atenção.

Grande Prémio de Macau

Falamos, claro está, do Grande Prémio de Macau, um dos eventos automobilísticos mais renomados a nível mundial que decorre de 14 a 17 de Novembro. Quem visita Macau por estes dias rapidamente se apercebe da importância do evento na vida e na história macaense. Isso mesmo pode ser constactado no Museu do Grande Prémio, um espaço que contribui para o conhecimento sobre o que tem sido o Grande Prémio de Macau durante a sua já longa vida. A valiosa colecção das máquinas que correram e venceram no circuito da Guia e um simulador, onde até os menos dotados na condução podem experimentar a adrenalina das curvas e contracurvas da corrida, mereceram a nossa atenção. Visite www.museums.gov.mo/por e fique com uma ideia do que vai encontrar por lá.

A verdade é que o Festival do Jubileu de Diamante do 60.º Grande Prémio de Macau é aquele género de acontecimento que só acontece uma vez na vida. Primeiro porque acontece no maior e mais antigo circuito urbano e depois porque é o único evento do género a juntar provas de carros e motas no mesmo programa. É em grande estilo que Macau celebra esta data tão significativa. Agendadas estão um conjunto de iniciativas como festivais, festas, exposições, entre outras.

A correr desde a década de 50

Tudo começou em 1954, quando um grupo de amigos decidiu realizar uma “caça ao tesouro” motorizada. Ao pedirem conselho sobre a melhor forma de organizar o que, originalmente, era um evento informal, disseram-lhes que estavam enganados. O que planeavam era muito mais que isso. E, assim, nasceu o Grande Prémio de Macau, cujo vendecor da primeira edição foi Eddie Carvalho num Triumph TR2, completando 51 voltas em quatro horas, três minutos e 1,91 segundos, com uma velocidade média de quase 79 km/h. Por contraste, em 2011, a velocidade média de Daniel Juncadella foi 130,25 km/h a caminho da vitória! Impressionante a diferença e a óbvia evolução de um evento que na década de 60 cresceu e começou a adquirir outra dimensão, a qual nunca mais viria a perder. Em 1966 a presença de Mauro Bianchi, piloto de testes da equipa Renault na Europa, mudou muita coisa, pois um empresário de Hong Kong, desejoso de promover o seu novo negócio com a marca, inscreveu Bianchi com o Renault Alpine. O belga ganhou a corrida, tornando-se no primeiro piloto a fazer uma volta ao Circuito da Guia em menos de três minutos.

Com os anos 70 e melhoradas as normas de segurança e as infra-estruturas, o Grande Prémio continuou a crescer chamando a atenção de grandes nomes do desporto motorizado, como Alan Jones e Riccard Patrese, estrelas de Fórmula 1. A 25.ª edição do jubileu de prata, assinalado em 1978, incluiu a “Corrida de Gigantes”, que trouxe a Macau nomes como Stirling Moss, Bobby Unser, Jacky Ickx (o vencedor), Denny Hulme, Dan Gurney e Mike Hailwood.

No ano de 1982 realizou-se o último Grande Prémio sob a alçada dos regulamentos da Fórmula Atlântico, com a 30.ª edição a assinalar o início de uma verdadeira era de ouro para o evento. Na verdade, Fórmula 2 implicaria alterações inaceitáveis ao circuito urbano, pelo que a organização do Grande Prémio decidiu adoptar as normas da Fórmula 3, em cujas corridas correram nomes como Paul Stewart, David, Gary Brabham,  Allan McNish e Michael Schumacher.

Um dos momentos mais famosos do Grande Prémio de Macau aconteceu em 1990, quando Mika Häkkinen e Michael Schumacher integravam a lista de concorrentes desse ano e a vitória da primeira manga coube ao finlandês. Dois anos depois celebrava-se a 40.º edição do evento, devidamente assinalada com a inauguração do actual Edifício do Grande Prémio e respectivas instalações de apoio. Já nos anos 2000, a reunificação de Macau com a China foi marcada ao melhor estilo quando André Couto, se tornou o primeiro piloto local a vencer o Grande Prémio de F3 no Circuito da Guia, e em 2005 o Grande Prémio de Macau seria incluído no calendário do Campeonato do Mundo de Carros de Turismo da FIA. Desde então, a Corrida da Guia de Macau tem sido a ronda final do campeonato.

Por Sandra M. Pinto

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