Lua-de-mel à uma volta do mundo

Foi em março de 2016 que partimos. Partimos para aquilo que foi, sem dúvida, a aventura das aventuras.

Casámos em setembro de 2015, mas já um ano antes havíamos decidido como seria a nossa lua-de-mel: uma volta ao mundo.

Ambicioso? Talvez. Louco? Decerto. Exequível? Tivemos de o fazer para saber.

Acabámos então a planear com muita antecedência toda esta aventura a dois e, sempre, com dois objetivos em mente: o pessoal – ultrapassar o desafio de dar a volta ao mundo à boleia, individualmente e como casal; e o social – fazer algo com que as pessoas se pudessem identificar, como um exemplo ou modelo, que as fizesse querer sair da zona de conforto, quebrar preconceitos e experienciar o mundo.

E foi em março de 2016 que partimos. Partimos para aquilo que foi, sem dúvida, a aventura das aventuras. Com um budget limitado e o roteiro desenhado pela metade, sabíamos quais os países por onde queríamos começar e as regras que trazíamos entre nós. Tal como os sonhos, os medos, as expectativas e os desejos – sabíamos tudo isto decor. E, já de regresso, sabemos agora o que mudou, o que foi diferente, o que sorrimos e chorámos, o que vivemos e saboreámos.

Estava uma manhã solarenga e fria. Levávamos as mochilas preparadas para o verão e, no corpo, as roupas de inverno. E partimos. Saímos do Painho – a minha terra natal, e conseguimos meses depois chegar a Singapura, sempre por terra e sempre à boleia, atravessando a Europa, rumo à Turquia, cruzando depois países do Cáucaso até chegarmos ao Irão. De lá, já com histórias infinitas no coração, seguimos para a Ásia Central – que consagramos hoje como a nossa região favorita de toda a viagem. Continuámos depois pela China, onde fizemos mais de 7000 quilómetros e, daí, percorremos todo o Sudoeste Asiático até, por fim, pisarmos Singapura.

E, até então, embora já mais cansados, felizes, conseguindo sempre escapar da opção aérea. Os planos faziam-se cumprir, melhor ou pior, com maior ou menos flexibilidade, mas sempre juntos na trilha do mundo e daquilo que mais nos fascinava (e fascina): as pessoas. E assim, pelos quatro cantos, fomos fazendo amigos.

Chegados a Singapura, e sem outra hipótese para a cruzada, apanhámos então o primeiro transporte – um barco, onde passámos dois dias, até Jakarta, na Indonésia. Por terra, à boleia, e com destemidas travessias de mar, de ilha em ilha, conseguimos chegar a Timor-Leste: o tão por nós desejado destino, onde parámos, respirámos, reencontrámos amigos antigos e fizemos outros novos. E foi aí mesmo, em Dili, que apanhámos o primeiro avião, com destino a Darwin, na Austrália, onde tantas e tão diferentes experiências nos esperavam.

Seguimos depois novamente de avião até à Nova Zelândia, que percorremos com encanto uma vez e meia de norte a sul, durante dois meses, até à paragem seguinte feita no Havaí, onde demos entrada nos Estados Unidos da América. Seguimos depois para Nova Iorque, de onde partimos à descoberta, por terra, até ao Canadá, durante 3 meses. E assim, sem que pudéssemos algum dia esquecer tudo o que vivemos, avistávamos o fim desta aventura. Com serenidade. Amor. E plenitude. Na certeza de que poderíamos ter feito mais, e diferente. Mas jamais seria a mesma coisa.
Contudo, não sem antes terminar, conseguimos aquilo por que asneávamos: não tivéssemos nós prestes a concluir uma volta ao mundo à boleia. Conseguimos, então, uma boleia especial, uma boleia da TAP. Bem-aventurados. E felizes, com a oportunidade de voltar com portugueses para o nosso Portugal. E, por fim, o balanço é imensurável. O que aprendemos só um dia saberemos.

Cruzámos 34 países, com mais 50.000 quilómetros feitos, por terra – numa lua-de-mel. E esse foi, sem dúvida, o nosso maior desafio: o de permanecer juntos, 24 horas por dia, sob o stress e a fantasia de viajar em torno do mundo, sempre que por terra à boleia, sem pagar para dormir e cozinhando as nossas próprias refeições. E estas eram também as nossas regras de ouro, cumpridas, ainda que por diversas vezes com dificuldade e sacrifício. Nem só de rosas se fez o nosso caminho, como na Itália ou na Grécia, ou até mesmo no norte da Austrália, onde as horas pareciam dias e a frustração da espera por um carro tomou conta de nós. Em contrapartida, foram as 512 boleias que nos permitiram conhecer tão diversas culturas, tantas gentes e hábitos, muitas línguas e formas de estar. Foram todas estas boleias, por vezes tão fáceis de apanhar, como na Turquia, na Tailândia ou na Nova Zelândia, que nos fizeram perceber e acreditar que a generosidade humana é transversal, não tem cor nem género, não tem classe ou país. O ser humano é belo. E viajar só nos relembra disso.

Terminada a viagem foi através da The Wanderlust que senti a oportunidade de partilhar com outros aventureiros tudo o que de melhor vivi ao longo das minhas viagens. Identifico-me particularmente com as viagens de aventura da The Wanderlust por partilhar dos mesmos valores relativos à abordagem ecológica da viagem e ao respeito pelas pessoas, animais e meio ambiente.

Por Tiago Fidalgo autor do blogue O Mundo na Mão

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