Viagem a Timor Leste pela lente do fotógrafo João Galamba

João Galamba fotografa por e com amor, isso percebe-se nas suas fotografias. Uma das suas mais fascinantes viagens, levou-o até Timor, onde se enamorou por gentes e paisagens.

 

O fotógrafo

“Que dizer sobre mim? Nasci em 2010, que é o mesmo que dizer a data em que comecei a fotografar. Interessa-me congelar para sempre na memória colectiva as gentes, seus hábitos, olhares e circunstâncias: perpetuar o belo, e denunciar as desigualdades. Eis aqui um pouco do meu trabalho, onde palavras algumas o poderiam descrever. Olhai as fotografias: se fui bem-sucedido no meu objectivo, elas falarão por si.”

Truques para fotografar

Ter sempre presente a máquina: onde quer que vá, a qualquer altura, carrego a minha mochila com o meu material fotográfico. Se saio de casa com intenção de fotografar, carrego todo o material que sei que irei utilizar, caso saia com outra finalidade transporto apenas a máquina com uma única objectiva para ser fácil de transportar e não me sobrecarregar. Nunca sei que situação inesperada poderei encontrar pelo caminho…

Uma boa fotografia fica finalizada com uma boa edição, mas uma boa edição não faz, por si só, uma boa fotografia: na era da fotografia digital, um bom fotógrafo caracteriza-se por ser também um bom “revelador” de fotografias através de programas de edição. No entanto, a fase da captação é essencial para uma boa fotografia: quanto melhor estiver a fotografia na máquina, mais provável é conseguir editá-la conforme queremos. Os erros na captação dificultam / impossibilitam o trabalho em pós produção. Há que lembrar: os programas de edição são de aperfeiçoamento fotográfico, não de conserto.

O olhar é que faz o fotógrafo, a máquina só existe para ajudar: o que mais importante caracteriza um fotógrafo é a sua capacidade de observação, a máquina apenas existe para registar o que antes se observou com atenção.

Transporte de material fotográfico em viagens / longas caminhadas: o peso a carregar nas viagens deve ser um compromisso: que material será, muito provavelmente, útil e quanto peso estou eu disposto a carregar? A facilidade de transporte e o conforto inerente são bons aliados da vontade em fotografar, e, na verdade, para quê carregar demasiado material? Há que ser criativo e original com o material que temos.

Viagem a Timor Leste

“Dia 02 de Dezembro de 2012 apanhei um avião rumo a Timor Leste. Muito tinha ouvido falar sobre o país mas sabia, de antemão, que seria uma experiência repleta de novidades. As três semanas que lá estive não decepcionaram: a cada dia descobria uma realidade nova, e tenho a certeza que podia lá ficar uma vida inteira e nunca deixar de me surpreender. A primeira coisa que se sente quando se aterra no Aeroporto Internacional Nicolau Lobato é o cheiro tropical acompanhado de 30º C bastante húmido. Mal olhamos em volta os nossos olhos abrem-se de espanto: o aeroporto está repleto de palmeiras, coqueiros, bananeiras, árvores tropicais. Confirma-se: aterrei num local totalmente diferente. Há que nos habituar ao calor, ao ritmo de vida lento por ele causado, à diferente realidade política e social, à língua onde muito raramente distinguimos ainda uma palavra portuguesa. Mal saímos do aeroporto percebemos que Dili não é uma capital vulgar, não vive ao ritmo que nos habituámos no ocidente: há um trânsito caótico, desordenado e desregulado, mas por outro lado, nas ruas menos movimentadas bem perto da avenida principal já vemos crianças a brincar na rua, comendo mangas acabadas de apanhar nas árvores ali plantadas. Dili acorda às 5 da manhã com o cantar dos galos, toma-se um banho de água fria para imediatamente a seguir começarmos a suar com o calor e humidade. E ainda são 7 horas da manhã… Anda-se uns kms para fora do centro de Dili e confirma-se o que desde tempos imemoriais se sabe: “o que mais há na terra é paisagem”. E as circunstâncias climatéricas em Timor pintaram-nas de todas as cores, mas três há predominantes: o azul do mar – ora turquesa cristalino dos recifes, ora adiante um pouco mais escuro-, o verde das árvores que pintam o paraíso tropical, mas também o castanho em bastantes lugares – afinal a secura do sol também faz o seu trabalho… Por todo o lado se veem bancadas com venda de frutas e legumes: ananás, bananas, cocos, mangas – e começo por esta ordem porque o meu gosto assim o pediu. Mas podia citar: abacates, beringelas, grelos, malaguetas, etc. etc… Lembro a caminhada noturna que fizemos para subir ao cume do Monte Ramelau (o mais alto de Timor – 3 mil metros). Pouco passava da meia-noite e demos início à caminhada: levávamos lanternas, mas a sua luz quase que era ofuscada pela claridade vinda do mar de estrelas. Não há palavras para o descrever: nunca em nenhum outro país vira nada assim. Se a caminhada noturna me havia surpreendido pela paisagem estelar, assistir ao nascer do sol no ponto mais alto de Timor foi uma aparição, uma revelação da natureza em todo o seu esplendor. Muito há para contar, talvez noutra oportunidade o faça. Por enquanto deixo-vos algumas das fotografias que por lá fiz.” João Galamba

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