Embarque numa viagem à Patagónia com Joel Santos

Joel Santos tem um invejável currículo na área da fotografia, sendo hoje um dos nomes mais conceituados em Portugal com forte reconhecimento internacional. Dos muitos destinos que já visitou, a Patagónia ocupa um lugar especial.

Viagem à Patagónia

A mais recente aventura de Joel Santos levou-o até à Patagónia, na América do Sul, numa «viagem centrada exclusivamente no que eu queria fazer», afirma o fotógrafo. Organizada com o intuito de proporcionar a Joel os melhores spots para fotografar, foi uma viagem «pensada apenas para mim e para a minha fotografia, para que eu pudesse explorar a região da melhor forma com o único objectivo de conseguir obter as melhores imagens», refere. A viagem foi realizada na companhia de um amigo, descrito por Joel como «o companheiro de viagem perfeito», pois esta aventura não incluía os normais confortos a que todos estamos habituados. «Percorremos 150 km em 12 dias, e levámos connosco tudo o que precisávamos para sobreviver no acampamento, cerca de 22 kg cada um», relembra Joel Santos.

Pouco plana e muito montanhosa, a paisagem da Patagónia revelou-se um desafio e no topo da lista das prioridades de Joel estava manter o peso do equipamento o mais baixo possível. Assim, optou por levar uma EOS 6D e várias lentes. A opção deveu-se ao facto de esta camara ser mais leve e full-frame, o que, de acordo com Joel Santos «dá um pouco mais de qualidade à imagem quando se pretende experimentar e “brincar”, especialmente quando levamos as coisas ao limite. Vai além de melhor resolução, pois melhora a nitidez, a cor e contraste, o que é claramente uma vantagem quando pretendo levar as fotos um pouco mais além», refere.

O fotógrafo

Joel Santos nasceu em 1978 e é licenciado e mestre em Economia. Apaixonado pela fotografia desde 2003, com génese na macrofotografia da água e na fotografia de paisagem natural, rumou no ano seguinte até Timor-Leste. Esta experiência, que durou três anos, impulsionou a sua paixão pelo retrato espontâneo e pela fotografia de viagem. Nos últimos anos editou centenas de artigos e imagens e publicou vários livros, tendo visto fotografias suas distinguidas com alguns dos mais prestigiados galardões nacionais e internacionais de fotografia.

Truques para fotografar

Técnicos (relativos ao equipamento e técnica fotográfica):

–  Para conseguir as melhores fotografias é crucial procurar/esperar pela melhor luz. Tipicamente, ao nascer e ao pôr-do-sol é quando a luz se apresenta menos contrastada, fornecendo gradações de cor mais ricas e criando sombras subtis que ajudam a modelar a paisagem. Por vezes poderá ser preciso usar um filtro polarizador para atenuar reflexos ou um filtro de densidade neutra, conseguindo tempos de exposição mais longos e que permitam criar arrastos por movimento, nomeadamente na água e nas nuvens em deslocação;

– Numa expedição fotográfica, é vital que o equipamento esteja sempre operacional, garantindo que tem energia para funcionar e que existe algum nível de redundância, prevenindo, dessa forma, algum imprevisto. Assim, idealmente, importa contar com dois corpos, um conjunto de objectivas com uma gama de distâncias focais complementares, múltiplas baterias, dois cabos disparadores, dois tripés de carbono e diversos panos de limpeza específicos para ópticas;

– As condições climatéricas adversas são a principal fonte de momentos espectaculares e de fotografias de alto impacto, mas também são o principal desafio e adversidade que o equipamento e que fotógrafo poderão enfrentar. Como tal, especialmente na Patagónia, é importante manter o equipamento seco recorrendo a capas impermeáveis, usar filtros UV para proteger os elementos frontais das objectivas de pedras sopradas pelos ventos fortes, e manter a câmara estável para evitar imagens tremidas.

Práticos (relativas a este tipo de viagem):

– Numa viagem em autonomia, ou seja, quando não existem pontos de apoio para reabastecer com víveres ou carregar as baterias dos equipamentos ao longo de vários dias, todos os recursos precisam de ser rigorosamente previstos e planeados. Há que precaver os imprevistos e garantir que não faltará comida ou energia, mas sempre com a limitação de não exceder o peso suportável, já que um quilograma a mais poderá levar a um esforço excessivo e, no limite, ditar o fracasso de uma expedição;

– De nada servirá o equipamento fotográfico se, a um nível mais pessoal, alguma coisa falhar. Assim, é crucial estar equipado com uma excelente mochila, botas de elevada qualidade e devidamente testadas antes da expedição, usar meias próprias para caminhada e sem costuras, contar com camadas de roupa que tenham diferentes capacidades térmicas e uma excelente respirabilidade, dispor de um bom saco de cama e colchão de ar com isolamento térmico do solo, ter uma tenda técnica resistente e fácil de montar, entre outros aspectos pertinentes;

– Apesar de o peso ser uma condicionante, existem aspectos em que não se pode poupar um grama. Entre eles conta-se uma boa farmácia, que permita lidar com cortes, bolhas nos pés, infecções, dores musculares, desidratação, higiene pessoal, entre outros cuidados médicos. Adicionalmente, importa planear e contar com um fornecimento constante de água potável, sem a qual é impossível levar a cabo uma expedição que exija esforço continuado e um elevado grau de autonomia.

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