“É altura para sermos ainda mais solidários”, afirma Elmar Derkitsch

Como um dos sectores mais atingidos pelos efeitos do confinamento obrigatório para combater a pandemia causada pelo Covid-19, o turismo, em especial, a hoteleria reinventa-se e colabora com as autoridades. É assim com o Lisbon Marriott Hotel, como conta o director-geral da unidade hoteleira.

Para Elmar Derkitsch, director-geral do Lisbon Marriott Hotel, a situação causada pela pandemia Covid-19 parou a operação mas não a solidariedade. De portas fechadas para os clientes, a unidade hoteleira acolhe os profissionais de saúde do Hospital Santa Maria.

Por Sandra M. Pinto


De que forma a pandemia atingiu a vossa actividade?
Devido às circunstâncias sem precedentes que enfrentamos por acção da pandemia global COVID-19, tomámos a difícil decisão de encerrar o hotel durante o mês de Abril.

Estão todos os colaboradores em lay off?
Neste momento, estão 169 colaboradores em lay off e 35 a trabalhar, alguns em sistema de teletrabalho.

Foram um dos hotéis que decidiram ajudar no combate ao Covid-19. Como surgiu a vossa colaboração com o Hospital Santa Maria?
A colaboração com o Hospital Santa Maria surgiu através da Associação de Hotelaria de Portugal. É esta a altura de sermos ainda mais solidários, e de colaborarmos com a sociedade no combate a esta pandemia. 

Que profissionais de saúde podem usufruir desta parceria? Só médicos?
Não, a parceria e as portas do nosso hotel estão abertas a todos os profissionais de saúde.
Sabemos que neste momento estes profissionais estão a travar uma incansável batalha contra o coronavírus, pelo que é com um sentimento de solidariedade e de contribuição social que, orgulhosamente, o Lisbon Marriott Hotel, juntamente, com o Grupo Sotéis, disponibilizou 100 quartos para esta acção.
Espalhados por vários pisos da unidade hoteleira, estes aposentos são o espaço certo onde podem descansar, evitando desta forma um possível contágio das suas famílias.

Podem eles usufruir de todos os espaços do hotel?
Por questões de segurança, não é permitida a livre circulação pelas áreas comuns do hotel.

De que forma se processa a limpeza dos quartas?
A limpeza dos quartos será feita pelos profissionais de saúde. Estes encontram todas as mudas necessárias no seu armário, bem como os aminities higiénicos.
Aquando da mudança, na troca de toalhas ou roupas de cama, devem usar os sacos destinados para a roupa suja e deixá-los selados à entrada do seu quarto. Depois devem ao At Your Service directamente do telefone do quarto para que seja feita a recolha da mesma.

Relativamente à alimentação, a que têm direito esses profissionais de saúde?
Diariamente, entre as 08h30 e as 09h30 é disponibilizado o pequeno-almoço, com a colocação de estações de refrescos, de snacks, de águas, chás e café no hall de cada piso onde estão instalados estes quartos.
O  nosso room service está aberto com um menu reduzido entre as 09h30 e as 16h30. Para fazer o seu pedido, os profissionais só têm de ligar para o At Your Service diretamente do telefone do seu quarto.

Para assegurar essas refeições quantos colaboradores do hotel estão ao serviço?
Neste momento estão 10 colaboradores a trabalhar no hotel.

O check- in é feito como normalmente ou foram implementadas regras, como, por exemplo, o distanciamento social?
As reservas são feitas directamente pelo Centro Hospitalar Lisboa Norte. No acto do check-in será entregue a chave do quarto dentro de um envelope. O acesso ao hotel é feito pela entrada principal, através da chave do quarto. Relativamente ao estacionamento, temos o nosso Corporate Park aberto na frente do hotel durante 24 horas.

A que outros serviços do hotel têm os profissionais de saúde direito?
Todos os profissionais de saúde têm acesso à internet gratuita. Além disso, a nossa loja de conveniência “Recharge” localizada no lobby, está aberta 24h, disponibilizando uma grande variedade de snacks, bebidas e produtos de higiene. Claro que, e por questões de prevenção de contágio, apenas uma pessoa de cada vez pode entrar na loja para realizar as suas compras.

Quando prevêm voltar a abrir o hotel a clientes?
A situação actual no mundo é incerta, e não só em Portugal. Após diversos países decretarem quarentena e proibição de movimentação aérea, a tendência é que os quartos continuem vagos. Numa altura de crise como esta estamos a reavaliar mensalmente o lay off. Para já aceitamos reservas apenas a partir de Maio ou Junho.

Quais as vossas expectativas relativamente ao pós pandemia?
A curto prazo, estamos a tomar providências que visam o bem-estar dos colaboradores e dos hóspedes. No entanto, a pandemia irá forçosamente obrigar à adopção de novos hábitos e a repensar nos modelos de negócios e de gestão.

Os critérios de segurança física e sanitária das pessoas vão estar no topo da lista da nossa empresa, pelo que iremos implementar novos procedimentos relacionados com a segurança sanitária que contribuam para minimizar os inconvenientes causados por o novo
coronavírus.

Ao mesmo tempo iremos proceder à  implementação de medidas de segurança no sentido de reduzir a possibilidade de contágio entre os visitantes e os colaboradores, como o controlo de acesso aos espaços, pontos de desinfecção das mãos, flexibilidade no trabalho, aumento do teletrabalho , onde as equipas se encontrem apenas algumas vezes por semana, realização das reuniões por vídeo conferência até voltarmos a uma total normalidade e formações online

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