Curiosidades da vila de Ponte de Lima

Os monumentos de Ponte de Lima contam histórias que nos ajudam a descobrir e compreender melhor a história da vila mais antiga de Portugal.

1 – Uma ponte que são duas
A ponte sobre o rio Lima é formada por dois troços distintos, um romano e outro medieval. A ponte romana foi erigida provavelmente no século I, visto por ela passar a via iniciada pelo Imperador César Augusto (Via Romana). Com o passar do tempo, não sendo exata a causa do deslocamento do leito do rio, podendo ser natural ou humana, foi necessário dar continuidade à ponte, no século XIV, nascendo a secção medieval, com características góticas.

 

2 – O ano de nascimento de Ponte de Lima: 1125 ou 1163?

O foral de Ponte de Lima, atribuído pela rainha D. Teresa em 1125, apresenta no documento de confirmação a data de 1163. Isto porque na época a marcação do tempo era regida pelo calendário Hispânico ou Juliano (de Júlio César). Só a partir de 1422 o sistema de datação foi alterado por ordem de D. João I, passando a vigorar o calendário Cristão em vez da Era Hispânica. Assim, para documentos anteriores a 1422, é necessário retirar 38 anos para termos a correspondência com o tempo do Calendário Cristão (ou Gregoriano). 1163-38=1125

 

3 – Marcas nas pedras das construções medievais

Na época medieval, o ensino estava quase exclusivamente limitado aos eclesiásticos. Poucos leigos sabiam ler ou escrever, utilizando marcas pessoais no lugar das suas assinaturas. Aquando da construção dos edifícios medievais, os pedreiros marcavam as pedras que assentavam. Para que pudessem receber o seu salário. Assim, hoje em dia, nos edifícios medievais existentes (ponte gótica, torres e muralhas subsistentes, Igreja Matriz), ainda são visíveis estas mesmas siglas.

 

4 – Origem da Capela do Anjo da Guarda

A Capela do Anjo da Guarda, de estilo românico/gótico, foi edificada possivelmente no último quartel do século XIII, estando localizada na margem direita do rio Lima, junto à ponte. A sua forma quadrangular aberta confere-lhe um carácter devocional, servindo de local de culto e abrigo. Após derrube parcial pelas cheias, foi reconstruída no século XVIII, colocando-se uma imagem policromada de São Miguel, anjo defensor e protetor da vila e do seu povo.

 

5 – Uma avenida com vários nomes

A Avenida 5 de Outubro, designada também popularmente por Avenida dos Plátanos, foi inaugurada a 8 de outubro de 1901 e batizada então com o nome de D. Luís Filipe, conforme decisão da Câmara Municipal, de 5 do mesmo mês, ao tomar conhecimento da visita do Príncipe a Ponte de Lima. A avenida, cujo nome atual foi oficializado depois da implantação da República, é hoje um local preferencial no Verão devido à frescura que a sombra dos plátanos centenários possibilita.

 

6 – Nossa Senhora da Penha de França: uma capela para os presos

Em 1613, João Lourenço, um homem do povo, para prover à falta de oratório na cadeia pública, mandou edificar a Capela de Nossa Senhora da Penha de França. Esta capela foi assim construída no enfiamento da janela da cadeia para permitir aos presos assistir à missa, tenda vista para o altar.

 

7 – A Torre que conta uma lenda e regista a altura das cheias

A Torre de S. Paulo foi erigida no século XIV, fazendo parte da estrutura muralhada de defesa da vila. Na face voltada ao rio, um painel de azulejos assinado por Jorge Colaço representa um episódio imaginário de D. Afonso Henriques na Cabração (Cabras são, Senhor!). [Segundo a lenda, depois de uma caçada, descansando D. Afonso Henriques junto à Capela de Nossa Senhora de Azevedo com a sua comitiva, começou a notar-se ao longe uma nuvem de pó e um barulho ensurdecedor. Julgando ser o inimigo que iria atacar, prepararam-se para o combate, indo de encontro à poeira e ao barulho, quando, de repente, o aio D. Egas, parando, dirigiu-se ao rei dizendo em tom de riso: “Cabras são, Senhor!” Deste modo, aquela área, que era ocupada em grande parte por pastores e cabras, passou a chamar-se Cabração].
Na mesma torre, na face da Rua do Postigo, quase ao nível da cota do pavimento, encontra-se uma inscrição gótica, onde se lê “Aqui chegou o rio pelo risco.” É a marca precursora de outras mais recentes, que assinalam, na mesma face da torre que ostenta o painel azulejar, a altura por onde andou o rio em diversos anos.

 

8 – Os romanos que atravessaram o Rio do Esquecimento

Lenda do Rio Lethes – O Rio Lima foi em tempos denominado Rio Lethes (ou Rio do Esquecimento). Segundo os antigos, o Rio Lethes encantava as pessoas, fazendo-as perder a memória. Quando um exército de romanos se deparou, a caminho das suas conquistas, com a beleza do lugar e do rio, apavoraram-se, acreditando tratar-se do Rio Lethes. Mesmo após a insistência do comandante Décio Junius Brutus para que atravessassem o rio, os legionários não arredaram pé da margem. O comandante, para provar que não se tratava do Rio do Esquecimento, decidiu ser o primeiro a atravessá-lo. Chegando à outra margem, virou-se para os seus soldados dizendo que continuava a lembrar-se de tudo. Chamou-os pelos seus nomes, encorajando-os assim a atravessar o rio Lima. O painel azulejar adossado numa das esquinas do Mercado Municipal também faz alusão a esta lenda.

 

9 – A Torre que D. Manuel I fez prisão

A Torre da Porta Nova, designada atualmente como Torre da Cadeia Velha, foi construída no século XIV como parte da estrutura muralhada de defesa da vila. Em 1511, D. Manuel I decide utilizar a torre para instalar a cadeia da Correição da Comarca. Este edifício de três pisos era constituído pela chamada “Cadeia de baixo” e pela “cadeia do meio”, reservadas aos homens, por norma em maior número, e pela “cadeia de cima”, destinada às mulheres. Mais tarde passou a funcionar apenas como prisão para homens, mantendo-se assim até aos anos 60 do século XX.

 

10 – De Cadeia Nova a Cadeia das Mulheres

A Cadeia Nova foi edificada no Século XIX ao lado da Cadeia Velha (Torre) com o intuito de albergar os condenados a penas correcionais, acusados da prática de delitos menores. Serviu esporadicamente para alojamento de militares e como residência do carcereiro e da sua família. Os documentos atestam o seu uso também como prisão para mulheres, sendo por isso conhecida popularmente como Cadeia das Mulheres.

 

11 – Um Chafariz, dois locais

Construído no atual Largo Dr. António Magalhães em 1603, junto a uma das principais portas de entrada na muralha da vila, foi transferido para o Largo de Camões em 1929. Para financiar a sua construção e a canalização da água de Merim, foi lançada uma finta sobre o sal e o azeite comercializados nesta Vila.
Por ser tão importante a água potável, uma vez que na vila só existia uma fonte e não raras vezes a população se queixava, foi colocada junto ao chafariz uma inscrição num bloco granítico, onde se leem as coimas aos que o sujassem. Se o prevaricador fosse apanhado, a primeira vez passava 3 dias na cadeia, se repetisse o feito a pena era em dobro. A inscrição acompanhou o chafariz para o Largo de Camões.

 

12 – A Feira de quem os documentos falaram em primeiro lugar

Quinzenalmente, às segundas-feiras, na margem esquerda do rio, realiza-se a antiquíssima feira. É a primeira a ser mencionada num documento, neste caso na carta de foral outorgada por D. Teresa a Ponte de Lima em 4 de março de 1125, que, entre outras coisas, estabelecia penas para aqueles que fizessem mal aos homens que de qualquer terra se dirigissem à feira.

 

Mais aqui.

Ler Mais
Outras Notícias
Comentários
Loading...