Cabo Verde à procura do calor africano

Paraíso no Atlântico, o arquipélago de Cabo Verde foi redescoberto como um destino turístico de excelência por parte dos portugueses, que todos os anos procuram as suas ilhas para uns dias de descanso. De entre elas as ilhas do Sal, Santiago e São Vicente têm vindo a ganhar ainda maior destaque.

Seja pela música que aquece a alma, pela gastronomia que faz crescer água na boca, pela alegria e simpatia com que este povo recebe quem chega ou pelas praias banhadas pelo sol, uma coisa é certa, cada uma das ilhas que compõem o arquipélago de Cabo Verde são um pedacinho de céu, cada uma com a sua especificidade. Com a morna a embalar os sentidos este é daqueles destinos que atraem quando não se está lá, encantam quando lá chegamos e deixa saudades quando vimos embora.

Cada uma mais bela que a anterior

O arquipélago de Cabo Verde situa-se no oceano Atlântico, cerca de 620 km a oeste da costa da Mauritânia na África Ocidental. Composto por 10 bonitas ilhas – 9 das quais são habitadas – e 5 ilhotas, tem origem vulcânica. Santo Antão, São Vicente, Santa Luzia, Ilhéu Branco, Ilhéu Raso, São Nicolau, Ilha do Sal e Boa Vista formam o agrupamento do Barlavento, enquanto Ilha de Maio, Santiago, Ilha do Fogo e Ilha Brava constituem o agrupamento de Sotavento. As espécies mais comum de plantas são o rododendro, a faia, o dragoeiro, o marmulano e o milho, enquanto ao nível da fauna o destaque vai para as aves e para os peixes, estes com particular incidência nas águas da Ilha do Sal.

Donas de uma paisagem quase lunar, cada ilha surpreende pela beleza a qual se desvenda única e extremamente cativante. Os seus habitantes resultam de uma mistura entre a cultura africana, portuguesa, mediterrânea e latina, que resultam na diferença do povo cabo-verdiano, distinto de todos os outros africanos. Com um número cada vez maior de turistas a descobrirem as belezas e maravilhas das suas ilhas, Cabo Verde tem conseguido manter-se intacto e inalterado, apesar de mostrar cada vez mais infra-estruturas.

Um pouco de história…

Corria o ano de 1456 quando os portugueses desembarcaram pela primeira vez em Cabo Verde. Nessa altura as ilhas encontravam-se desertas, sem vivalma para dar as boas-vindas! Mas o facto mais surpreendente é que naquela época o verde era a cor predominante em todas as ilhas, predominante de tal forma que atraiu os marinheiros portugueses, que voltaram passados meia dúzia de anos à ilha de São Tiago onde fundaram a Ribeira Grande, que actualmente tem a designação de Cidade Velha. Como não existiam nativos os portugueses optaram por trazer para a ilha escravos oriundos da costa ocidental africana com o objectivo de estes realizares os trabalhos mais duros. Com o passar dos anos o arquipélago tornou-se numa “base” perfeita para todos os navios que procediam ao transporte de escravos tanto para a Europa como para a América. Em 1586, Francis Drake saqueia Cabo Verde, que apresentava já uma prosperidade acima da média. Mas a soberania portuguesa não foi posta em causa, pelo que esta permaneceu, ao mesmo tempo que o arquipélago continuou a crescer e a prosperar. Esta evolução sofreu o primeiro revés em 1747, quando as ilhas foram atingidas pela primeira das muitas secas que daí em diante lhe toldariam a evolução e a vida diária. Esta situação já de si bastante complicada agravou-se ainda mais por causa da desflorestação e do sobrepastoreio que iriam destruir toda a vegetação rasteira, aquela que é a principal responsável pela retenção da humidade no solo. No descuro dos século XVIII e XIX as grandes secas que atingiram as ilhas tiveram como infeliz resultado a morte de cerca de 100 000 de habitantes. Em 1832 teve início a emigração de grandes quantidades de nativos para a Nova Inglaterra, sendo que no final desse século se torna, devido à privilegiada localização, num ponto perfeito para o reabastecimento de navios que transportavam combustível. No ano de 1975 Cabo Verde alcança a independência.

Santiago, São Vicente e Sal

Como principal ilha do arquipélago Santiago é das paragens mais concorridas de Cabo Verde. A cidade da Praia, a sua capital, não é quase de certeza das mais bonitas cidades de todas as ilhas, pois, de acordo com quase todos os que a visitam essa qualificação pertence por direito ao Mindelo, mas é um local extremamente agradável  que apresenta o seu centro no planalto rochoso de todos conhecido como o Platô. De visitar as duas praias que se encontram perto da cidade a Praia Mar e a Quebra Canela. Fora do perímetro da Praia os visitantes não podem deixar de visitar a Cidade Velha, a primeira localidade da ilha fundada pelos portugueses. Por aquelas bandas podem ser apreciadas belas panorâmicas do cimo do Forte Real de São Felipe. Cerca de 20 km para o interior da Praia existe a vila de São Domingos, com as suas lojas de artesanato. No extremo norte de São Tiago fica o segundo maior aglomerado populacional da ilha, o Tarrafal.

A ilha de São Vicente é a segunda maior de Cabo Verde e é nela que fica a cidade do Mindelo, a mais animada e bonita de todas as cidades do arquipélago. Ali o número de bares e clubes é o maior de todas as ilhas, ao mesmo tempo que também apresenta os melhores restaurantes. O Mindelo é considerada como a capital cultural de Cabo Verde, muito por culpa do Festival de Música da Baía das Gatas (evento que tem lugar todos os anos no primeiro fim-de-semana de Agosto) e pelo facto de ser a terra natal de Cesária Évora, cantora que levou a música cabo-verdiana aos quatro cantos do mundo, trazendo-lhe reconhecimento e enorme divulgação. Apesar da sua origem vulcânica, São Vicente é uma ilha relativamente plana, facto que se nota sobretudo nas zonas do Calhau (a leste da ilha) e da Baía das gatas (na zona norte). Ambas merecem uma visita atenta pois possuem uma beleza rude mas muito cativante. Quanto aos montes por onde se podem realizar saudáveis caminhadas, são vários e de diferentes tamanhos, sendo o maior o Monte Verde. Outros pontos turísticos de interesse são o pico da Fateixa, o conjunto Madeiral/Topona e o Tope de Caixa.

Na ilha do Sal encontra-se o aeroporto do arquipélago. Esta ilha constitui o destino predilecto para os europeus com maiores recursos económicos. São imensas as línguas de areia branca que os visitantes vão encontrar no Sal. Característica geográfica que a juntar ao clima ameno, com pouquíssima variação de temperatura (entre os 24 e os 30 graus no Verão e entre os 16 e os 24 no Inverno), e à pouca chuva, transforma a ilha num paraíso turístico.

Um passeio pela ilha revela-nos espaços únicos, como as salinas naturais e as artificiais (as de sal deram o nome à ilha) e as piscinas rochosas naturais, sobretudo na sua costa ocidental norte. A Espargos é, além da capital, a sua cidade mais habitada, enquanto Santa Maria, ao sul, é o centro turístico e o segundo maior centro populacional da ilha, dispondo de uma boa estrutura hoteleira.

Por Sandra M. Pinto

 

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