Havana: deslumbre-se pelo charme desta cidade histórica

País de povo alegre e hospitaleiro, Cuba tem na cidade de Havana a personificação dessa maneira de estar e ser. Classificada como a segunda maior metrópole das Caraíbas, a histórica capital cubana é detentora de um irresistível charme colonial.

A biografia de Havana remonta ao ano de 1519, altura em que os navegadores europeus percorriam os mares de toda a América Central. Mas foi uns anos antes, em 1492, que Cristóvão Colombo desembarcou em Cuba, pensando ser o Japão! No início do século XVII Havana tornou-se a capital cubana e no decurso dos séculos seguintes, em que ocorreram algumas das mais devastadoras guerras que envolveram o reino espanhol, permaneceu quase intocável, ganhando fama como a cidade mais protegida da região.

Durante as décadas de 30 e 40 do século XX converteu-se rapidamente na única metrópole urbana do país e de todo o Caribe. Tal facto reflectiu-se no seu elevado e acelerado crescimento urbanístico e populacional. O ano de 1952 marca a chegada ao poder do general Fulgêncio Baptista e o início de um período de forte ditadura política em Cuba. Uma situação que logo fez desabrochar, na oposição, um movimento revolucionário liderado por Che Guevara e Fidel Castro.

Jóia colonial
Podemos afirmar que Havana parou no tempo. Este é o seu maior estigma, mas também o seu maior encanto, pois em nenhum outro local do mundo temos oportunidade de observar exemplares dos famosos Cadillacs da década de 50 do século passado ou de saborear um puro feito à mão, sentindo nas ruas a alma da cidade e dos seus habitantes.

O escritor Fernando Ortíz descreve Cuba como estando fortemente marcada pelo fumo do tabaco e pela doçura da cana-de-açúcar, e repleta de sensualidade vinda da sua música. A sua capital é testemunha disso mesmo: habitada por três milhões de pessoas, surge alegre, expressiva, parecendo viver em permanente clima de festa. Detentora de um clima invejável – 23º C de temperatura média anual – e de um céu azul e luminoso, possui características que se traduzem num convite permanente para se gozar a vida. Para onde quer que os olhos se virem ou os passos nos levem, Havana surge sempre com muita história, ritmo e cor.

Mas é igualmente um importante pólo de desenvolvimento científico e tecnológico, possuidora de numerosas instituições de ensino superior e de investigação científica, como os centros de Engenharia Genética, Imuno-Ensaio e Biotecnologia, entre outros. Salas de congressos e reuniões servem de quartel-general, todos os anos, a importantes encontros e festivais internacionais, quer de índole científica e cultural, quer de carácter desportivo. Significativas redes de alojamento hoteleiro e serviços extra-hotelaria garantem o desenvolvimento do grande potencial turístico da região. De um modo ainda bastante rudimentar e embrionário, os negócios privados, por conta dos naturais, começam a dar os primeiros passos, como é o caso dos paladares – restaurantes familiares –, da venda de flores ou do artesanato.

Ao percorrer as ruas havanesas, muito há para conhecer. Em Havana Velha, verdadeiro museu a céu aberto, existe o mais famoso conjunto arquitectónico da ilha, declarado pela UNESCO em 1982 como Património Cultural da Humanidade. Só neste pequeno núcleo estão reunidas 144 construções dos séculos XVI e XVII. Um centro histórico que recentemente começou a ser alvo, ao cabo de quase dois séculos de abandono, de um processo de recuperação e restauro, a cargo de Eusébio Leal Spengler, o superintendente do Património Cultural. Por sua vez, Havana Centro assemelha-se a alguém que viveu uma época esplendorosa, mas que actualmente vive na penúria.

Os seus tesouros arquitectónicos, quase todos fora das muralhas que envolviam a cidade, surgiram durante o século XIX, época em se desenvolveu bastante, tornando-se sobretudo zonas residenciais e de espaços verdes. As muralhas, que corriam paralelamente às actuais Avenidas Bélgica e de Las Misiones, começaram a ser demolidas no início da década de 1860, empreitada que só teve fim durante as décadas 20 e 30 do século seguinte. Foi nessa altura que foram ajardinados o Passeio do Prado, o Parque Central, os jardins do Capitólio e o Parque da Fraternidade.

O terceiro distrito de Havana, Vedado, é também o maior. O seu traçado invulgar, datado de 1859, surgiu da mão de Luís Yboleón Bosque e o nome, Vedado, do facto de durante o século XVI ter sido ali proibido edificar ou arruar, de maneira a assegurar uma perfeita visibilidade dos navios piratas que se aproximassem. Com o passar dos anos foi crescendo tornando-se numa das zonas residenciais privilegiadas. Hoje é o centro político e cultural de Havana, onde se situam os mais conhecidos restaurantes, lojas, teatros, cinemas, escritórios e ministérios. Mas não perdeu o seu carácter histórico, pois mantém uma grande quantidade de jardins e casas antigas que se distinguem pelas imponentes entradas coloniais. O seu maior ex-líbris é a Praça da Revolução. Dona de um simbolismo exacerbado, é de todos conhecida por ser o local onde decorrem as mais importantes comemorações cubanas.

Animação é coisa que não falta em Havana, onde a música, sensual e muito caliente, se serve acompanhada de um tradicional rum cubano e de um aromático puro. Dos muitos locais de diversão nocturna da cidade, um deles marca desde sempre a diferença, o Tropicana. Existem também inúmeras discotecas, onde se pode dançar o mambo, o bolero, a salsa e o chachachá até ao nascer do Sol.

Quando se conhece esta metrópole caribenha, é sem qualquer dificuldade que entendemos o escritor americano Ernest Hemingway e a sua verdadeira e incondicional paixão por Havana. Entendemos também o porquê de a ter escolhido para sua residência durante 21 anos, pois o mesmo nos poderia perfeitamente acontecer!

A visitar

Praça da Catedral
Símbolo de Havana Velha, era ali que terminava o Zanja Real, primeiro aqueduto da cidade, do qual resta apenas uma placa do século XVI que assinala o local. No século XVIII surgiram os edifícios aristocráticos e a catedral, o conjunto de maior relevo em Havana. Sob as suas arcadas a animação é uma constante, podendo-se ouvir boa música ou parar um pouco numa das esplanadas.

Catedral de São Cristóbal
Iniciada em 1748 com os Jesuítas, só foi acabada pelos Franciscanos em 1777. A arquitectura apresenta planta de cruz latina, capelas laterais e na parte superior, e uma nave central mais alta dos que as laterais. A fachada de estilo barroco é grandiosa, engalanada por duas torres sineiras assimétricas e uma profusão de nichos e colunas. No interior encontram-se oito capelas, sendo a maior a do Sagrario, enquanto a mais antiga é dedicada a Nossa Senhora do Loreto.

Museu de Arte Colonial
Datado do século XVIII, este palacete construído por Luís Chacón, governador de Cuba, é desde 1963 um museu dedicado à arte colonial. Edificado em redor de um pátio, apresenta 12 salas com peças de mobiliário, porcelanas, candelabros e outras peças decorativas. Do seu acervo sobressai uma colecção de vitrais de artesãos crioulos cubanos. Na 13.ª sala são habitualmente realizadas exposições de arte e de artesanato.

Seminário de São Carlos e São Ambrósio
Foi erguido pelos Jesuítas, em meados do século XVIII, para receber um seminário. Destaca-se de outras construções pelo seu pátio central, único em Cuba: tem três galerias em níveis diferentes e uma escadaria interior elegantemente decorada.

Praça de São Francisco
Colada ao porto, a praça apresenta um ar muito andaluz, além de evocar imagens de épocas distantes, quando os grandes galeões partiam com destino a Espanha carregados de ouro.

Praça de Armas
Sendo a mais antiga da cidade, foi durante séculos centro político e militar. Possui em seu redor um agradável espaço verde, sendo um dos locais preferidos dos que vivem ou visitam Havana.

Palácio dos Capitães Generais
Com uma imponente fachada, é uma manifestação do barroco cubano. A construção teve início em 1776, por encomenda do governador Felipe Fondesviela, e só terminou em 1792. Foi sede da República Cubana, em 1902, e Museu da Cidade, em 1967, mas nada lhe tirou a estrutura original de residência, a sua função original. O pátio é um verdadeiro jardim, repleto de plantas medicinais e aromáticas, onde se destacam duas palmeiras reais – a árvore nacional de Cuba.

Castelo da Real Fortaleza
Esta fortaleza, erguida entre 1558 e 1577, tinha como função defender a cidade de ataques piratas, o que efectivamente nunca conseguiu devido à má localização estratégica. Passou então a servir de residência para governadores e comandantes militares. Actualmente alberga o Museu Nacional de Cerâmica Cubana.

Parque Central
Um local privilegiado entre a velha e a moderna Havana, projectado em 1877. Rodeado de prédios dos séculos XIX e XX, tornou-se característico pelas suas imponentes árvores. Funciona como um ponto de encontro dentro da cidade.

Capitólio
Um imponente edifício, símbolo da cidade, belíssimo tanto no exterior como no interior, inaugurado em 1929. Cópia do Capitólio de Washington, apresenta uma combinação perfeita entre o estilo neoclássico e alguns elementos de Art Déco. Até 1959 foi sede de Governo, hoje acolhe o ministério da Ciência.

Grande Teatro de Havana
Na esplendorosa fachada o artista italiano Giuseppe Moretti esculpiu quatro grupos de esculturas, representando a Caridade, a Educação, a Música e o Teatro. De 1837 até ao início do século XX este era o local escolhido para a apresentação de artistas famosos.

Passeio do Prado
Procurado durante o dia para um passeio, é ao entardecer o local de encontro predilecto dos havaneses. Idealizado em 1772, foi alvo de alterações no final de década de 1920, que o tornaram naquilo que é hoje.

Museu Nacional de Belas-Artes
Dividido em dois edifícios – o original de 1954 e o recente Palácio do Centro Asturiano – dá guarida a uma colecção inteiramente dedicada à arte cubana, da escultura à pintura.

Praça de Revolução
É desde meados do século XX o centro político, administrativo e cultural do país. Ganhou o nome que hoje tem com Fidel Castro, pois inicialmente dava pela graça de Praça Cívica.

Avenida Malecón
Considerada como a marginal da capital cubana, desce do Passeio do Prado até encontrar o mar. A salpicar os passeios encontramos belíssimas casas coloniais esquecidas no tempo.

Museu da Revolução
Antigo Palácio Presidencial, foi entretanto transformado em museu. Dá a conhecer alguns aspectos da história recente de Cuba, através da exposição de fotografias, de documentos e de objectos pessoais.

Mercado da Praça das Armas
No início da década de 1990 o Governo cubano autorizou os pequenos negócios, que desde então têm florescido a uma velocidade vertiginosa. Este mercado é o melhor exemplo dessa situação. Desde livros em segunda mão a artesanato, passando pela tradicional cerâmica e peças em madeira, de tudo um pouco se pode encontrar nos coloridos escaparates.

Mercado dos Quatro Caminhos
O maior e mais famoso de Cuba, ocupa um edifício datado de 1922, mas estende-se pelas ruas vizinhas. Ali vende-se carne, frutos secos, peixe, sumos, legumes, entre outros produtos.

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