AÇORES nove ilhas esplêndidas

Um fim-de-semana nos Açores a dois, em família ou com amigos é o tempo que necessita para recuperar energias.

Aenas a duas horas de viagem de Portugal Continental, nove ilhas esplêndidas estão ao alcance de qualquer um. Paisagens deslumbrantes, gastronomia de comer e chorar por mais e uma cultura rica e diversificada, onde a cidade de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, e a Paisagem da Cultura da Vinha, na ilha do Pico, são Património Mundial da Unesco. Em cada uma das nove ilhas há tanto para conhecer.

Os Açores têm vindo a afirmar-se como ilhas de qualidade e excelência, onde aquilo que é genuíno e diferenciador marca a diferença e impõe-se num mundo globalizado, e contribui para a valorização do seu património natural e cultural.

O arquipélago afirma-se como destino turístico de excelência e respeitador dos valores ambientais e socioculturais. Assim o atestam iniciativas e galardões nacionais e internacionais, como a eleição da Lagoa das Sete Cidades e da Paisagem Vulcânica da Ilha do Pico como Maravilhas Naturais de Portugal. Ou o epíteto de “segundas melhores ilhas do mundo do ponto de vista do turismo sustentável”, onde, a par da simpatia das populações, se enaltece uma preservação ambiental bem-sucedida e um desenvolvimento turístico feito de forma harmoniosa. A mais recente distinção refere os Açores no top 100 de destinos mais sustentáveis do mundo.

No subsolo, estão assinaladas quase três centenas de cavidades vulcânicas, sob a forma de grutas, algares e fendas. Na paisagem, há caldeiras secas, lagoas em crateras, campos fumarólicos e nascentes termais. No mar, encontram-se fontes geotermais submarinas. A majestosa montanha do Pico, de cone ainda intacto, parece proteger todas estas riquezas geológicas. Testemunho do poder da Natureza, o vulcanismo do arquipélago impressiona pela diversidade e gera um magnetismo especial no visitante.

CENTROS DE INTERPRETAÇÃO

Além dos centros de interpretação das cavidades vulcânicas abertas ao público, o arquipélago possui vários centros de ciência que ajudam a compreender e valorizar o geopatrimónio açoriano. O moderno Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos galardoado com o prémio EDEN (Destino Europeus de Excelência), Faial, inclui filmes, hologramas e conteúdos multimédia. Outras paragens enriquecedoras passam pelo Observatório do Mar (Faial), Observatório do Ambiente, Museu Vulcanoespeleológico Os Montanheiros, (Terceira), Casa da Montanha (Pico), Observatório Astronómico, ExpoLAB e Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores (São Miguel).

GEOPARQUE AÇORES

O Geoparque Açores integra desde Março de 2013 a Rede Europeia e a Rede Global de Geoparques, sob o patrocínio da UNESCO. Esta integração visa promover e proteger o património geológico do arquipélago, ao mesmo tempo que promove o desenvolvimento sustentável dos Açores a nível ambiental, cultural e socioeconómico, fortemente alicerçado no Geoturismo. A valorização da geodiversidade, da riqueza do seu património natural e do valor científico, turístico e educacional dos geossítios dos Açores constituem pilares essenciais desta iniciativa.

Apenas um número limitado de grutas e algares está aberto ao público. No entanto, são conhecidas cerca de 270 cavidades naturais em todo o arquipélago. A exploração destes locais pode ser feita, para fins científicos ou desportivos, mediante o acompanhamento de guia especializado e com equipamento adequado. Há operadores locais que se dedicam à espeleologia.

O encontro com o vulcanismo açoriano estende-se ao ano inteiro, sendo que a descoberta dos fenómenos vulcânicos a céu aberto, também, pode ser efectuada em qualquer altura do ano. Deve apenas ter-se em atenção as alterações meteorológicas, sobretudo no Inverno, de modo a enveredar pelos trilhos e miradouros mais adequados.

Para percorrer os trilhos e conhecer os fenómenos vulcânicos de superfície, basta trer vontade de conhecimento e roupa de caminhada ou montanhismo, ao qual se aconselha o uso de calçado apropriado. O mesmo se aplica às grutas vulcânicas, dado que algumas partes do solo são irregulares e acidentadas. O equipamento especializado necessário para a visita às cavidades, como o capacete e a iluminação, é fornecido nos centros de interpretação.

Grutas, museus e centros de interpretação estão abertos a visitas de estudo. Visitar vulcões é algo de muito especial que agrada tanto a adultos como crianças. Nos Açores, é fácil planear um roteiro que agrade a toda a família. O dia pode começar num miradouro de onde se contempla a extraordinária paisagem criada pela natureza vulcânica dos Açores. Depois, a descida às profundezas subterrâneas, numa das várias cavidades preparadas para o efeito. São locais mágicos, apropriados para a visita dos mais pequenos. Após o regresso à superfície, uma caminhada para contemplar a paisagem circundante. Sempre que o calor apertar, surge a hipótese de um refrescante mergulho numa piscina natural de lava. A visita a um museu ou centro de interpretação, responderá às perguntas surgidas durante as ricas experiências do dia passado num mundo de vulcões.

GASTRONOMIA

Terras limpas, solos produtivos, mar limpo e ingredientes genuínos, combinados, fazem refeições deliciosas. Uma das grandes experiências, e das mais características, ao viajar para os Açores é a gastronomia. A terra e o mar inspiram a gastronomia tradicional Açoriana tornando-a muito rica, não só pelo peixe fresco vindo do Atlântico e pela carne de excelência que vem das pastagens, mas também pela quantidade e qualidade de produtos biológicos produzidos na Região. Para além disso, o leite, os queijos, manteigas, compotas, chás são complementos essências para tornar as refeições prazenteiras, bem como os licores ou o vinho regional, tradicional caseiro, ou o galardoado vinho do Pico, terminado com um Ananás ou um doce refinado de cada ilha.

O QUE É COZINHA AÇORIANA?

A cozinha açoriana é um estilo de culinário rico, saudável e baseado em camponeses. Os seus sabores vêm desde de frutos do mar, ensopados picantes, sobremesas doces e laticínios ricos, entre muitos outros.

A resposta exata, no entanto, é um pouco mais complicada. A maioria das pessoas, se já ouviram falar dos Açores antes, provavelmente presume que os alimentos dessas ilhas sejam iguais ou semelhantes aos de Portugal continental. E enquanto o idioma é o mesmo, e alguns pratos são iguais, na verdade eles são cozinhas bem diferentes.

HISTÓRIA

Os Açores também tinham um histórico de analfabetismo desenfreado – embora isso tenha mudado, é claro, nos tempos modernos. Por esse motivo, muitas receitas de família perderam-se, uma vez que, infelizmente, não foram escritas. Embora algumas tenham passado de geração em geração, muitas não. Durante a grande onda de imigração dos Açores, no início dos anos 1900, receitas e registos escritos de culinária foram com os que se despediam da sua terra. Os moradores de cada ilha eram agricultores e pescadores trabalhadores, não era pessoas que iam a restaurantes. Como a maioria das famílias lutou com extrema pobreza e superlotação, quando deixaram as ilhas e se mudaram para outros países, abriram restaurantes e cafés.

O QUE DISTINGUE A COZINHA AÇORIANA DA COZINHA PORTUGUESA

Então, o que é a cozinha açoriana e o que a distingue da culinária portuguesa continental? Mais uma vez, a resposta não é simples, principalmente porque a culinária muda dependendo de qual ilha açoriana ou mesmo de qual parte de qualquer ilha você visita.

Como regra geral, a cozinha açoriana tende a ser muito mais rústica do que a de Portugal continental (essa não é uma regra rígida e efetiva, mas geralmente é verdadeira). Os alimentos são ricos com os sabores dos ingredientes principais, em vez de criados com sofisticadas misturas de sabores.

Um bom exemplo disso é a sopa de couve. A versão saudável açoriana está cheia de grandes pedaços de couve, batata e linguiça, enquanto o Caldo Verde feito no continente é cremoso e suave, com tiras finas de couve e talvez uma ou duas fatias de chouriço em cada prato de sopa.

Os Açores são famosos pelos seus ricos produtos lácteos. As vacas tendem a ser usadas para esse fim, e não como carne (a carne de porco era a principal carne usada na culinária). No café da manhã, é provável que você receba uma pequena jarra de vidro cheia de iogurte local, pães espalhados com manteiga rica e um café com muito leite integral cozido no vapor. Os queijos também são muito bons em todas as ilhas, sendo que cada um tem o seu queijo típico, bastante diversificado de ilha para ilha, sendo que o queijo de São Jorge é um clássico popular com raízes que remontam ao século XV. Este queijo de leite cru distinto da vaca tem uma idade mínima de 3 a 5 meses. A textura firme e suave e o cheiro aromático tentam que você aprecie o autêntico sabor ousado. Uma boa combinação de queijos, com pão caseiro é uma excelente combinação para a sobremesa, juntamente com fruta. O queijo é, também adicionado aos pratos do dia-a-dia, onde o sabor acentuado os transforma em delícias gourmet.

Um tipo de comida muito original que vem da ilha de São Miguel (a maior ilha) é o Cozido das Furnas (ensopado vulcânico). É uma espécie de refeição de uma panela que é realmente cozida um buraco no chão perto das famosas caldeiras (fontes termais) das Furnas (que, sem surpresa, significa “forno” em português). A Alcatra é outro prato popular açoriano que vem da ilha Terceira. Este tipo de prato assado na panela de barro pode ser feito com carne de porco, carne, frango, coelho e feijão e é cozido lentamente com tomate, cebola, alho e espiões orientais, introduzido na ilha em 1499 no retorno do navegador português Vasco da Gama, que abriu a rota das especiarias para a Índia, onde chegou a Calcutá em 1498. Afinal, são ilhas, portanto, não é de surpreender que os produtos do mar estejam muito presentes na culinária. Como no continente, bacalhau e outros peixes frescos, vindo das águas limpas e cristalinas, figuram fortemente na mistura de sabores, mas há um uso mais frequente de polvo, abrótea e lapas, sendo que as lapas incluem mais na vertente de marisco e são uma excelente entrada para um jantar Açoriano.

O Ananás é cultivado na ilha de São Miguel e exportado fortemente para Portugal continental. É frequentemente visto nos menus dos restaurantes açorianos para sobremesa e é uma rara excepção aos pratos ricamente doces que caracterizam a maior parte do repertório açoriano de sobremesas.

A Massa Sovada, ou pão doce português, originou-se nos Açores e é uma parte omnipresente do Natal e da Páscoa. Para a Páscoa, é frequentemente assado com ovos cozidos no centro do pão. As malassadas são bolas redondas de massa que são fritas e enroladas em açúcar granulado, quase como um donut, que, segundo a história gastronómica dos Açores, devem ter sido originadas na ilha de São Miguel – agora também com uma versão havaiana muito popular, cheia de creme, chocolate, aveia e goiaba.

Os Açores são os únicos produtores europeus de chá e o chá Gorreana é reconhecido internacionalmente como um chá de “classe mundial” e é a empresa de cha mais antiga da Europa. Propriedade familiar e operada desde 1883 é ideal para o “pudim de chá verde açoriano” de acordo com as receitas tradicionais portuguesas que remontam aos conventos do século XVII, onde as freiras desenvolveram e dominaram as técnicas de confecção e confeitaria e deram origem ao que ainda é conhecido hoje como “Doces Conventuais” ou Sobremesas do Convento, uma tradição que resistiu ao teste do tempo.

É improvável que o visitante passe fome nas noves ilhas, uma vez que os Açores são ricos de sabores saudáveis. Esteja você a comer num restaurante ou em casa de alguém, as porções serão grandes, e você será incentivado a ter segundos ou terceiros pratos. Pode não ser fácil encontrar esta comida em qualquer outro lugar do mundo, mas se você tiver a sorte de saborear esta farta gastronomia, ficará mais do que encantado com esta oportunidade única e certamente a mais afortunada.

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