2020 é o ano de ir “para fora, cá dentro”

O ano de 2020 começou com previsões promissoras para o sector do turismo, com expectativas de se chegar ao número record de 1,6 milhares de milhões de viagens internacionais a nível mundial.

No entanto, em menos de três meses, tudo mudou: um novo vírus altamente contagioso obrigou países inteiros a fechar e a implementar medidas rígidas de confinamento às suas populações.

Mais de 70 dias depois, com o Verão à porta e evoluções promissoras de contenção do coronavírus pelo mundo fora, a vontade de sair de casa é maior do que nunca. Numa sondagem realizada pela LuggageHero no início de Maio, mais de metade dos inquiridos europeus indicou que pretende viajar dentro do país nos meses do Verão. Outros 20% estão tão ansiosos por viajar que se farão à estrada nos primeiros 15 dias após as restrições serem levantadas.

Mas num mundo profundamente transformado pelo coronavírus, ainda é possível viajar? E para onde é seguro ir?

“Há menos pessoas com medo de viajar”

Depois de longos meses de confinamento obrigatório, e com os resultados positivos das medidas de contenção do vírus finalmente à vista em algumas partes do mundo, é natural que muitas famílias queiram retomar os seus planos de férias para 2020.

Mas se é verdade que as intenções de viajar tanto para destinos domésticos como internacionais têm vindo a aumentar no último mês, permanece uma questão: como serão as viagens neste novo cenário global?

Uma coisa é certa: os factores decisivos na escolha de destinos de férias são agora outros. Mesmo os viajantes mais experientes deparam-se actualmente com preocupações de higiene e segurança dantes irrelevantes. E para os que ponderam fazer férias além-fronteiras, há que ter novas considerações em conta como o número de casos activos no destino e possíveis restrições de fronteiras internacionais.

Com esta realidade em mente, são várias as companhias aéreas e cadeias de hotéis que se anteciparam a pôr em prática novas normas de higiene e afastamento social.

A Emirates, que retomou recentemente os seus voos regulares para nove destinos, anunciou na semana passada um conjunto de novas medidas de higienização para garantir a segurança dos seus passageiros e trabalhadores desde o momento do check-in até ao desembarque.

Em Portugal, o Turismo de Portugal criou o selo “Clean & Safe” para ser atribuído apenas aos empreendimentos turísticos que cumpram com as normas de higiene e segurança recomendadas pela Direcção-Geral de Saúde.

O objectivo é claro: o sector do turismo pretende fazer os possíveis para que as férias pela quais os viajantes tanto anseiam possam realizar-se ainda em 2020 num ambiente seguro não só para os turistas como também para os seus trabalhadores. E os seus esforços parecem estar a produzir efeitos: em maio, apenas um quarto dos europeus inquiridos pela LuggageHero indicou querer esperar pelo próximo ano ou por uma vacina para fazer a sua próxima viagem.

As viagens continuam a fazer parte dos orçamentos das famílias

A pandemia global provocou não só uma emergência de saúde como também uma crise económica. E apesar de ainda estarmos longe de perceber o efeito duradouro do coronavírus a nível global, a verdade é que, pelo menos para já, parece que o impacto económico nas famílias não será decisivo para se fazer sentir no sector do turismo.

Quando inquiridos pela LuggageHero sobre possíveis alterações ao seu orçamento de viagens, 42% dos agregados familiares afirmaram esperar gastar o mesmo montante previsto antes da pandemia, e 18% indicaram a intenção de diminuir o seu orçamento de viagens em apenas 0-20%.

No mundo corporativo, o cenário é igualmente optimista. São mais de 60% os inquiridos que acreditam que terão uma viagem de negócios até ao final do ano.

Apesar das novas tecnologias que permitem o trabalho à distância e o contacto com amigos e familiares no estrangeiro, as vantagens do mundo virtual (ainda?) não conseguem substituir as do mundo real. E isso é algo com que o sector do turismo poderá sempre contar.

O futuro do turismo é doméstico

Tendo em conta a rápida adaptação do sector do turismo a este “novo normal” e a contenção do vírus alcançada em algumas regiões do mundo, são vários os países que começam a relaxar as suas políticas de confinamento e, em alguns casos, até as suas fronteiras. No continente europeu, e seguindo as indicações da Comissão Europeia, tem-se assistido à criação de “bolhas” e “corredores” de viagem entre grupos de países com perfis de risco semelhantes.

E mesmo países com evoluções mais dramáticas do vírus revelam um olhar optimista para o Verão de 2020. O governo espanhol, por exemplo, já indicou a intenção de abrir as suas fronteiras internacionais a partir de 1 de Julho, removendo a partir dessa data a actual obrigação de 14 dias de quarentena para viajantes recém-chegados ao país.

Ainda assim, o turismo internacional continua limitado e a Organização Mundial do Turismo prevê uma queda do sector entre 60% e 80% até ao final do ano em comparação a 2019.

Mas o que pode parecer uma “crise” para o turismo, apresenta-se de facto como uma oportunidade única. A vontade de conhecer lugares novos não tem de implicar uma saída do país – e as sondagens confirmam que, para 2020, os viajantes sentem-se mais confortáveis com umas férias perto de casa do que uma aventura além-fronteiras.

Em Portugal, tendo em conta a rápida adaptação do sector do turismo e o panorama de saúde promissor, tudo indica que o Verão de 2020 será o momento em que vamos finalmente poder sair de casa – mas para ficarmos “cá dentro” e conhecer melhor o nosso próprio país.

 

Nota: A LuggageHero tem realizado sondagens mensais desde o início da pandemia para aferir as intenções dos viajantes nos Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido. Os resultados do seu mais recente inquérito, realizado entre 10 e 14 de maio a mais de 1.600 inquiridos, apontam para um sentimento cada vez mais optimista – e uma vontade inegável de continuar a viajar.

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